Consórcios estimam alta de 20% nas vendas com as novas regras
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sexta-feira, 04 de julho de 1997
Agência Folha São Paulo 
As administradoras de consórcio estimam que as novas regras para o setor, anunciadas pelo Banco Central (BC), podem elevar em até 20% o volume de bens comercializados pelo sistema neste ano. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), Vitor César Bonvino, a expectativa é que as administradoras comercializem em 97 R$ 9 bilhões em bens. O motivo principal para o crescimento, segundo ele, seria a formação de novos grupos de consórcios para imóveis.
Atualmente, disse Bonvino, existem apenas 257 grupos para imóveis (dados até maio). O total de grupos, incluindo os de automóveis, produtos eletroeletrônicos, motocicletas, caminhões e ônibus, chega a 42 mil. Agora, com a ampliação do prazo máximo do contrato, as prestações poderão cair até 45%, afirmou o presidente da Abac.
No entanto, para o presidente do Secovi (Sindicato das Empresas de Compra, Venda, Locação e Administração de Imóveis do Estado de São Paulo), Ricardo Yazbek, as novas regras para os consórcios terão efeitos reduzidos no mercado imobiliário.
Segundo ele, nos planos de autofinanciamento, que são negociados com as construtoras, o consumidor já sabe qual o imóvel e quando será entregue, diferentemente do consórcio. O participante do consórcio, quando é contemplado, recebe uma carta de crédito e sai à procura de um imóvel, que pode não ser encontrado, disse Yazbek. No caso do consórcio, a garantia de que o contemplado continuará pagando é o próprio imóvel e a execução de uma hipoteca é um processo longo, afirmou.
Para Hubert Gebara, ex-presidente da Federação Nacional do Mercado Imobiliário, a criação de novos grupos de consórcio para imóveis dependerá das condições estabelecidas pelos contratos a serem oferecidos aos clientes, já que o BC deixou de regulamentar os mesmos. O presidente da Abac também avalia que as novas regras para os consórcios poderão alavancar a modalidade de turismo, que hoje conta com apenas 20 grupos.
As regras anteriores permitiam a formação de grupos somente para a compra de passagens, o que era desestimulante devido ao baixo valor unitário, de acordo com Bonvino. Segundo ele, hoje algumas empresas administradoras de consórcio já estavam recebendo telefonemas de agências de turismo para consultas.


