RIO - O advogado Valter Barletta, da Advocacia Geral da União, não conseguiu protocolar no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) na sexta-feira a documentação relativa ao ‘‘conflito de competência’’, que está impedindo a realização do leilão da Vale. A documentação deverá ser entregue somente hoje. Apesar de mais esse adiamento, os dois consórcios, que já depositaram carta de fiança na Câmara de Liquidação e Custódia (CLC), no valor de R$ 3,002 bilhões, não terão custos adicionais sobre essas garantias. Conforme explicaram, as despesas só ocorrerão no momento em que o dinheiro for utilizado.
De qualquer forma, os custos sobre os financiamentos já contratados junto aos bancos parece não arrefecer os ânimos dos consórcios Valecon (liderado pelo Votorantim) e Brasil (formado pela Companhia Siderúrgica Nacional, CSN). Na última sexta-feira, ambos declararam que estarão a postos no dia e hora marcada para o leilão, seja nesta semana ou daqui a 45 dias. A Vale tem importância estratégica para os dois grupos.
A estatal, através da Docenave, é dona de 9,85% do capital da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN), líder do Consórcio Brasil. Como a CSN indica o gestor do fundo de pensão dos funcionários da siderúrgica, dono de 13%, o grupo Vicunha, detentor de 13,9% das ações da CSN, indiretamente, controla a companhia.
Se o consórcio formado pelo grupo Votorantim arrematar a empresa terá direito a indicar um nome para o Conselho de Administração da empresa de Volta Redonda. E isso é tudo o que o empresário Benjamin Steinbruch, presidente do Conselho da CSN e do grupo Vicunha, maior acionista da siderúrgica, quer evitar. ‘‘O controle do grupo Vicunha na CSN é muito frágil e se o Votorantim vencer o leilão ficará seriamente ameaçado’’, disse a mesma fonte.
Além disso, com o controle da Vale nas mãos, a CSN estenderá seus tentáculos pela siderurgia nacional, uma vez que a estatal tem participações na Açominas, CST e Usiminas. Mas Steinbruch garantiu que a CSN, ao comprar a Vale, não pretende dominar o setor siderúrgico. ‘‘A CSN não tem interesse em participar da gestão de nenhuma das três siderúrgicas’’, afirmou, referindo-se ao fato de a Vale ter assento no Conselho daquelas três usinas.

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