O crescimento da venda de consórcios em torno de 28,2%% nos primeiros quatro meses deste ano demonstra que o brasileiro, mesmo com a situação ''apertada'', faz de tudo para poupar parte do seu salário para adquirir algum bem. Prova disso está no número expressivo de mais de meio milhão de cotas que foram comercializadas pelo sistema consórcios. No quadrimestre foram comercializadas a marca de 683,2 mil novas cotas. Uma alta de 28,2% sobre as 533,1 mil contabilizadas no mesmo período no ano passado.
Para o empresário Rodolfo Montosa, presidente nacional da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), a desaceleração do crescimento econômico não afeta muito na compra de consórcios. Para ele, consórcio vende sempre bem, tanto em épocas de dinheiro como não. ''Quando falta dinheiro, o consórcio é uma alternativa porque seus custos são bem menores do que as operações financeiras. Quando se tem dinheiro de sobra, o sistema também é uma boa alternativa porque é uma maneira de investir, já que dinheiro na mão é vendaval'', compara Montosa.
Portanto, a procura pelos consórcios se mantém em ascensão. ''Todos os segmentos apresentaram crescimento, confirmando que o consumidor continua atento ao seu orçamento pessoal ou familiar, não adquirindo apenas pelo impulso ou pelo valor da parcela, mas analisando os custos embutidos, quando se trata, especialmente, de parcelamento sem juros'', afirma Montosa.
Na opinião dele, os juros reais estão muito altos. No consórcio qualquer operação tem custo entre 0,20% a 0,30% ao mês, representando 4% ao ano, enquanto no sistema convencional os juros podem chegar a 148%. ''Quando se compara esta realidade, o cliente começa a poupar para adquirir um consórico. É claro que na compra por impulso você pega o dinheiro na hora, mas por isso você tem que pagar muito mais. a diferença pode chegar a 10 vezes mais'', compara Montosa.
O advogado Marcos de Queiroz Ramalho passou a gostar muito de consórcio de uns anos para cá. Ele já adquiriu dois veículos, dois imóveis e quatro motos através do sistema. Mesmo sem ter sido contemplado, ele diz que o sistema muito melhor do que financiamento. ''Não tem juros. Você vai pagando, dá lance e depois consegue abater o valor da prestação'', disse ele, acrescentando que hoje está pagando as parcelas com valores bem baixos. Outra vantagem que ele vê é com relação à devolução no final do grupo. ''Você paga fundo de reserva, para deixar o consórcio saudável. Depois você é restituído'', explicou.
De acordo com dados da Abac, a soma das vendas nos primeiros quatro meses de 2005, comparado ao mesmo período de 2004, apresentou alta de 199,8%, subindo de 65,9 mil novas cotas para 197,6 mil. O total de participantes ativos chegou aos 3,32 milhões, em abril de 2005, 4,1% mais que os 3,19 milhões apontados em abril de 2004. As contemplações também tiveram alta, 3%. Subiram de 271,8 mil, acumuladas de janeiro a abril do ano passado para 280 mil, nos mesmos quatro meses deste ano.

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