Pagar um pouco mais caro e obter o bem imediatamente ou economizar um pouco, mas esperar para ter o produto em mãos? Antes de comprar algo, como um carro, por exemplo, muitas pessoas ficam em dúvida entre o consórcio e o financiamento. Calcular os benefícios e desvantagens entre eles é a melhor forma para chegar ao desempate.
Para o representante comercial de produtos veterinários, Rafael Borges, não foi possível colocar na ponta do lápis os prós e os contras antes de optar pela forma de pagamento. Como estava precisando do carro imediatamente para fazer as visitas do trabalho em Londrina e região e não tinha o valor à vista, optou pelo financiamento. ''Paguei quase o dobro do bem, mas foi a alternativa que atendeu a minha necessidade'', conta.
Com juros de 1,8% ao mês, o veículo que sairia por R$ 27,7 mil à vista, custou R$ 48,8 mil em 60 parcelas. ''A diferença de R$ 21 mil é o preço que vou pagar pela entrega imediata do veículo'', reconhece Borges, que planeja economizar todo o dinheiro ou optar por um consórcio quando for trocar ou adquirir seu próximo carro.
O economista e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Londrina) e da Faccar (Rolândia), Marcio Luis Massaro, observa que como há demanda reprimida de muitas mercadorias, na maioria das vezes, o brasileiro prefere pagar mais caro e aproveitar a oportunidade na hora. ''Mas é preciso atentar para os valores finais dos produtos'', alerta. Ele compara que a grande vantagem do consórcio é pagar a taxa de administração e não os juros, no entanto, com o financiamento, é possível ter a posse do bem de forma imediata.
''Quando o cliente opta pelo financiamento, compra o veículo e o dinheiro de uma instituição bancária. Além de pagar o deságio [desvalorização de quando sai da agência], também paga o preço do dinheiro que contratou para financiar'', explica. Segundo ele, o carro saiu a vista para a concessionária porque quem comprou a dívida foi o financiador.
O economista esclarece que por não ser uma operação bancária, não há cobrança da taxa de juros no consórcio. Existe uma taxa administrativa e um fundo de reserva para possíveis inadimplentes do grupo, ''que devem ser levados em conta no comparativo com o financiamento''. Em contrapartida, é necessário aguardar o sorteio, que pode contemplar o cliente na primeira ou até a última pedra. ''Portanto, quem tem urgência do bem e disponibilidade de arcar com o financiamento, opta por essa modalidade, que em algumas operações, chega a dar o dobro do valor do bem.''
Uma dica do economista para diminuir os juros, é pagar de 50% a 70% do veículo a vista e financiar o restante. ''Pode ser que essa opção seja tão boa quanto um consórcio que tenha taxas atrativas baixas.'' Ele atenta, ainda, para a necessidade de pesquisar as menores taxas, tanto as de juros quanto as administrativas. ''Tem que brigar pelas mais baixas porque mesmo que a diferença mensal do percentual pareça insignificante, no final, pode significar grande economia'', ensina.
''A poupança programada, sem dúvida, é a melhor opção. Se puder trocar o financiamento ou o consórcio por essa forma de investimento, o cliente terá mais benefícios'', acrescenta Massaro. Entretanto, ele observa que o brasileiro não tem essa disciplina, ''diferentemente do que ocorre nos países desenvolvidos''.
O professor cita que nos Estados Unidos, por exemplo, o hábito da poupança é válido tanto para automóveis quanto para qualquer outro produto. ''E na China, embora boa parte da população seja miserável, e outra viva numa situação financeira mais simples, os chineses também acumulam valor na poupança'', compara.

Imagem ilustrativa da imagem Consórcio ou financiamento: como escolher?