Kraw PenasMenos gastosO presidente Oliveira Alves: pé no freio para evitar descarrilamento do negócioA Ferrovia Sul Atlântico, empresa formada pelo consórcio vencedor da concessão da Malha Sul, anunciou ontem que dentro de duas semanas irá demitir mais de um terço dos funcionários da antiga Rede Ferroviária Federal (RFFSA). O corte vai se dar de uma única vez. Somente no Paraná e Santa Catarina serão demitidos 1,4 mil funcionários, do total de 2,8 mil que serão dispensados.
As negociações com o Sindicato dos Ferroviários estão avançadas e não deve haver protesto das entidades ligadas aos funcionários. A Ferrovia Sul Atlântico ficará com todo o encargo social resultante das demissões. Os afastamentos se darão desde os cargos de chefia até os operários. ‘‘Dos 12 níveis de chefia, ficaremos com quatro’’, afirmou o diretor-presidente da Ferrovia Sul Atlântico, José Paulo de Oliveira Alves.
Alves afirmou que o corte é necessário para reduzir o comprometimento do faturamento com as despesas de pessoal. A RFFSA chegou a gastar 100% da receita para pagar os 6,4 mil funcionários e ainda comprar combustível. ‘‘Queremos diminuir o gasto para 60% do faturamento’’, anunciou o diretor-presidente.
A Ferrovia Sul Atlântico tem como principal objetivo tornar lucrativo o transporte de cargas por trens na região Sul do País. A malha ferroviária tem 6,6 mil quilômetros e chegou a transportar 14 milhões de toneladas no ano passado. A previsão é transportar 15 milhões de toneladas de março até o final deste ano.
Mesmo com o volume de carga que passou pelos trilhos da RFFSA, a estatal acumulou uma dívida trabalhista e fiscal de aproximadamente R$ 200 milhões. A dívida trabalhista feita até o dia 28 de fevereiro, quando foi assinado o contrato de concessão, pertence à RFSSA.
Segundo o diretor-presidente da Ferrovia Sul Atlântico, a empresa irá investir entre R$ 120 milhões e US$ 150 milhões nos próximos anos. O dinheiro será conseguido através de linhas de crédito do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). O financiamento deve sair a partir de setembro deste ano.
O dinheiro será destinado à recuperação da malha ferroviária e ainda equipar a empresa com locomotivas e vagões. Hoje há cerca de 300 locomotivas, mas 200 estão inadequadas. Há 1,5 mil vagões parados.
O consórcio da Ferrovia Sul Atlântico é composto pelas empresas GP Investimentos Ltda, Banco Garantia, Judori, Railtex e Interférrea. A empresa tem a concessão para operar a Malha Sul nos próximos 30 anos. Ela arrematou a Malha Sul por R$ 217 milhões. Deste total, R$ 90 milhões foram pagos à vista e os R$ 127 milhões serão pagos em 30 anos, com dois anos de carência. As parcelas são corrigidas pelo IGP mais juros de 12% ao ano.

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