Maria Aparecida Benta de Oliveira, 35 anos, vai mudar de vida até o ano que vem. Gerente de uma loja de calçados em Londrina, ela planeja mudar-se do seu atual endereço para uma casa própria e se casar. A comerciária conseguiu realizar seu sonho aderindo a um consórcio. Contemplada no primeiro sorteio após sua adesão, no mês passado, ela vai retirar R$ 30 mil. As prestações são de R$ 272,73.
''Fui sorteada entre 400 pessoas. É muita sorte'', disse ela, que pretende vender um terreno que possui, juntar o dinheiro com os recursos do consórcio e finalmente comprar a casa própria. ''Agora vai dar para casar. O que faltava não falta mais'', comemora.
Assim como Maria, muitos brasileiros utilizam o consórcio quando não podem pagar à vista. Segundo a Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), atualmente há 2,922 milhões de clientes ativos em quase trezentas administradoras brasileiras que operam no mercado de consórcios. Em julho de 2001, eram 2,877 milhões de consorciados em todo o País.
O comerciante Jurandir Barroso, 54, integra essas estatísticas. Atualmente participando de dois grupos, para comprar um carro e um imóvel, ele conta que já utilizou o mecanismo para adquirir outros bens e até mesmo para reformar um imóvel. ''A vantagem é que a taxa de administração do consórcio é mais barata que os juros praticados pelo mercado'', avaliou.
O lado negativo, segundo ele, é a depedência dos sorteios. ''Quem fica por último é prejudicado, porque recebe o dinheiro sem correção.'' As administradoras oferecem alternativas para antecipar a contemplação. ''É possível dar lances, até mesmo usando o FGTS'', explicou.
O recorde de vendas atingido pelo Consórcio União de Londrina, nos dois últimos meses, comprova o crescente interesse do brasileiro por esse mecanismo de aquisição de bens. Em setembro, a administradora comercializou R$ 17,5 milhões em cotas de automóveis, imóveis e motos. Um recorde de 2002 que foi superado no mês de outubro, quando foram negociados outros R$ 19,5 milhões, totalizando no acumulado do ano um faturamento de R$ 153,2 milhões e 30 mil consorciados ativos 18,2 mil de autos; 8,4 mil de motos e 3,2 mil de imóveis.
''Acreditamos que os consumidores de bens móveis e imóveis têm buscado alternativas mais baratas para realizarem seus sonhos. Estudos recentes mostram que a tendência dos juros não é de baixa. No sentido inverso, também prejudicial aos consumidores, os prazos de financiamentos foram reduzidos. Isto significa um aumento no valor das parcelas mensais ou um maior desembolso mensal, desistimulando o financiamento'', argumenta o superintendente do Consórcio União de Londrina, Rodolfo Montosa.
Luiz Haroldo Klamas, gerente geral da filial de Londrina da Rodobens, revelou que a procura por consórcios, na empresa, cresceu 20% nos últimos seis meses. ''Quando os juros começam a ficar altos, os consumidores migram para os consórcios'', comentou.
O gerente alertou que é preciso atentar para alguns detalhes antes de decidir pela adesão a um grupo. ''O bom consórcio tem baixo índice de inadimplência'', analisou. Ele explicou que quanto menor o número de devedores, menor será a possibilidade de atraso no pagamento do benefício.
A maneira mais fácil de investigar a idoneidade de uma empresa é acessar a página do Banco Central na internet. No endereço www.bcb.gov.br, é possível verificar a situação de todas as administradoras do País. A home page divulga o índice de inadimplência, o número de grupos e de consorciados, entre outros dados. Além disso, informa sobre as administradoras com problemas na Justiça e que estão proibidas de formarem novos grupos.

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