As empresas Copel, Vivendi e Andrade Gutierrez arremataram ontem pela manhã, em leilão na Bolsa de Valores do Paraná, as ações ordinárias nominativas da Sanepar. Elas formaram o Consórcio Liberal para poder comprar 39,71% do capital social, ou 35,16% do capital total da empresa. A Vivendi foi a maior compradora, com 41,38%, seguida da Andrade Gutierrez, com 37,93%, e da Copel, com 20,69%.
O leilão foi uma operação rápida, que levou exatos 12 minutos. Como houve um único lance, a ações foram vendidas pelo preço mínimo de R$ 249.780.612,41. O governo do Estado continua com 60% do controle acionário da Sanepar. A empresa Opportunity, que estava inscrita, desistiu de concorrer.
A participação da Vivendi representa o início do grupo francês em um grande projeto no setor de saneamento no País. A empresa é uma das maiores potências mundiais no segmento, tendo mais 2,5 mil subsidiárias em todo o mundo. Além de atuar no saneamento ambiental, a Vivendi tem empresas de construção civil, telecomunicações, comunicações, hospitais e imobiliárias.
A Vivendi estava em negociação com a Andrade Gutierrez havia cerca de quatro anos para investirem, juntas, numa empresa estatal de água e esgoto. A união com a Copel foi a forma que os dois grupos encontraram para se aproximar da Sanepar. ‘‘Não queríamos entrar sozinhos, porque temos uma defasagem no setor. A Andrade Gutierrez entrará com a ancoragem e com a experiência, e a Copel, com a capacidade e pelo fato de ser paranaense’’, explicou o diretor da Divisão de Águas da Vivendi do Brasil, Christopher Akli, após o leilão.
O superintendente do setor de concessões da Andrade Gutierrez, José Renato de Camargos, disse que a construtora tem priorizado os investimentos em empresas públicas que estão em processo de privatização ou abertura de capital. ‘‘Procuramos uma sinergia com o serviço público’’, afirmou Camargos. Ele disse que caberá ao governo do Estado definir os programas ‘‘macroeconômicos’’ para a Sanepar.
O secretário da Fazenda, Giovani Gionédis, disse que a Copel quis investir na Sanepar por entender ‘‘que era um bom negócio’’. ‘‘Precisamos tornar a Sanepar competitiva, para evitar que ela perca terreno para empresas municipais, como ocorreu em Paranaguᒒ, afirmou Gionédis.
O presidente da Sanepar continuará sendo indicado pelo governo. O diretor de Operações vai ser indicado pela Vivendi. O superintendente e o diretor financeiro serão indicados pela Copel e pela Andrade Gutierrez.

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