Consórcio começa a operar no terminal de contêneires
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quinta-feira, 30 de julho de 1998
Carmem Murara 
O consórcio Redram/Transbrasa inicia na próxima terça-feira a operação de carregamento e descarregamento de contêineres e veículos no Porto de Paranaguá. O começo da atividade marca a entrada da iniciativa privada no terminal portuário, colocando fim há mais de 70 anos de controle estatal. O grupo privado assume a administração do terminal com a proposta de aumentar a produtividade na movimentação portuária. Mas sabe que o primeiro obstáculo a ser vencido é a resistência dos portuários, que não aceitam a mudança nas regras de contratação de mão-de-obra.
Sindicalistas e os responsáveis pelo Terminal de Veículos e Contêineres (Tevecon) estão em constante negociação para conseguir chegar a um consenso. Caso não haja acordo, os portuários ameaçam paralisar os serviços. O maior entrave é o valor a ser pago pelo serviço prestado.
A diretoria do consórcio acredita que é necessário aumentar a produtividade do terminal para que ele se torne competitivo. Conseguiremos ter o dobro da velocidade de descarregamento de um navio, somente com a organização do sistema, afirmou, ontem, o superintendente do Tevecon, Mauro Marder. Segundo ele, os estivadores e arrumadores conseguem operar seis contêineres por hora. Com a entrada do consórcio, será possível ter o dobro da velocidade e, no prazo de um ano, quando forem instalados os três guindastes, haverá 40 movimentos por hora.
Quanto maior a agilidade na movimentação, mais há interesse dos armadores em optar pelo porto. A cada dia que um navio fica atracado representa uma despesa diária de R$ 30 mil para o armador. No Porto de Santos (SP), onde a produtividade é grande, os responsáveis pelos navios não se importam em pagar taxas portuárias mais caras porque sabem que o navio vai ser descarregado com rapidez.
O Porto de Paranaguá movimentou este ano uma uma média mensal de sete mil contêineres, mil a mais do que no ano passado. Mauro Marder acredita que há uma demanda para 30 mil contêineres em cinco anos. A capacidade para veículos é de 100 mil por ano, com previsão de chegar a 600 mil em dez anos.
O consórcio que administrará o Tevecon é formado pela construtora Redram e pela Transbrasa, grupo que faz a operação retroportuária em Santos. Eles conseguiram a concessão para atuar em Paranaguá por um período de 25 anos, com renovação possível para mais 25 anos. O consórcio se comprometeu em investir R$ 30 milhões em dois anos e R$ 60 milhões num prazo de dez anos. Somente os guindastes, que serão instalados, têm um custo unitário de R$ 6 milhões.
Entre as metas do grupo está a de agilizar a movimentação dos contêineres e a saída deles da área portuária. Hoje, um contêiner pode levar em média 20 dias para ser liberado pelo alfândega. A nossa proposta é reduzir o tempo para uma semana, nos primeiros anos, afirmou Mauro Marder. A média nos portos europeus é de 48 horas. Para tornar o trabalho mais rápido, o Tevecon tem preparado um sistema informatizado para atuar em conjunto com a Receita Federal.


