Agência Estado
Do Rio
O consórcio Global Village Telecom (GVT), formado por empresas estrangeiras, arrematou a concessão da empresa-espelho da Tele Centro Sul (TCS) com apenas R$ 100 mil, frente à proposta dez vezes maior do único concorrente, o Espelho Sul Telefônica. O trunfo do GVT no leilão de ontem de manhã, na Bolsa de Valores do Rio, foi a superioridade da proposta técnica – instalar 594 mil linhas até 2002 –, que tinha um peso de 70% na pontuação final.
O preço, que pareceu irrisório ante os altos valores pagos um ano atrás pelas empresas do Sistema Telebrás, causou surpresa, mas oito minutos depois de iniciado o leilão acabou a dúvida: a diferença entre os pontos do GVT e do adversário era tanta que não dava margem a nova rodada de propostas.
Para a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), foi uma manhã de alívio, depois de quatro tentativas malsucedidas de vender a empresa-espelho da TCS. O mercado atribuía a falta de interessados ao fato de que a região 2 – Distrito Federal, Acre, Rondônia, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Goiás, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – é bem servida de telefones. Três consórcios depositaram a garantia de R$ 30 milhões na véspera do leilão, e a paulista Splice foi a única a não fazer proposta, depois de divulgar que teria um sócio.
O GVT é formado pela Global Village Telecom (70%), sediada na Holanda, e as norte-americanas ComTech (25%), de infra-estrutura e participação em companhias telefônicas, e RSL (5%), provedora de longa distância. A Global Village foi criada há um ano e meio com capital dos grupos financeiros Merril Lynch (norte-americano) e Magnum (inglês), da empresa de satélites Gilat (também norte-americana) e do grupo Clal (israelense).
A Inepar seria a sócia brasileira do GVT, mas na última quarta-feira foi probida de participar pela Anatel, que entendeu que o grupo paranaense oficialmente ainda tem ações da operadora fixa Telemar. ‘‘Não tivemos de alterar muito nossos planos’’, garantiu o chief executive officer (CEO) da Global Village, Shaul Shani.
O executivo limitou-se a dizer que investirá ‘‘algumas centenas de milhões de dólares’’ na concessão e atenderá a mais clientes do que a diz a meta. A obrigação da GVT é: cobrir 88% dos municípios com mais de R$ 200 mil habitantes, mais a capital Palmas (TO), até o ano 2000, com densidade de 2%; cobrir 100% desses municípios até 2001, com densidade de 3,75%; e aumentar a densidade para 4,75% em 2002. Isso significa que a operadora terá de instalar 220 mil linhas até o ano que vem, 468 mil até 2001 e 594 mil até 2002. O Espelho Sul prometeu 330 mil. O GVT cobrirá 27 dos 1,8 mil da região. A documentação tem de ser entregue à Anatel até o dia 8 de setembro e o prazo para o início das operações é 31 de dezembro de 2000.
Os sócios do Espelho Sul são a Bell Canadá, as norte-americanas Qualcomm e VeloCom (ex-WLL International), a argentina Liberman e o grupo brasileiro Vicunha – que tem como acionista a família Steinbruch. Além da Canbrá, formaram a Megatel para arrematar a espelho da Telesp.

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