Consórcio arremata a Cerj
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quinta-feira, 21 de novembro de 1996
Agência Estado 
RIO - Depois de duas tentativas frustradas, nas privatizações das distribuidoras de energia capixaba Escelsa e da carioca Light, os chilenos conseguiram entrar no setor elétrico brasileiro. E pagaram alto: compraram ontem, com ágio de 30,27%, o controle acionário da Companhia de Eletricidade do Rio de Janeiro (Cerj). Em leilão na Bolsa de Valores do Rio, o consórcio formado pelas chilenas Chilectra e Enersis, pela portuguesa EDP e pela espanhola Endesa arrematou 70,26% das ações da estatal por R$ 605,327 milhões. O preço mínimo do lote era de R$ 464,6 milhões.
Três consórcios foram habilitados para a venda, mas um deles, formado pela Escelsa, Iven e GTD (fundos de pensão) desistiu da participação apesar de, no dia anterior, ter feito o depósito das garantias. O terceiro grupo, formado pela Light, EDF, AES e Houston, ofereceu R$ 551.579.561,00 e perdeu a disputa, já que o modelo de leilão foi por envelopes fechados, com lance único. Os representantes do consórcio vencedor, que até a noite de terça-feira tentava, sem sucesso, conseguir a adesão de parceiros brasileiros, teve ali mesmo, no pregão, duas ofertas.
Tentou-se atrair o empresariado nacional, mas eles tiveram uma visão míope do negócio, disse Marcel Brotzen, da corretora Graphus, que representou o consórcio no leilão. O diretor-geral da Sociedade Panamenha de Eletricidade (Chilectra), Marcos Zylberberg Krol, afirmou que o consórcio pretende investir US$ 500 milhões na Cerj, apenas no setor de distribuição de energia, nos próximos cinco anos.
O mesmo grupo pensa, agora, em ampliar sua participação no setor elétrico brasileiro, participando do leilão de 33% das ações da Cemig, distribuidora de energia de Minas Gerais. Estuda, também, a participação na privatização da Coelba, da Bahia. Chilectra e Enersis (Empresa Elétrica do Panamá) fazem parte de uma mesma holding, liderada pela segunda. Juntas, são responsáveis por 100% do abastecimento da região metropolitana de Santiago (50% do fornecimento do Chile); 100% de Buenos Aires (40% da Argentina); e 50% de Lima (30% do Peru).
A EDP Electricidade de Portugal é a estatal responsável por 85% de toda a geração e distribuição de energia do país; e a espanhola Endesa Desarrollo é uma empresa mista, que tem o governo como acionista majoritário, com 66% de suas ações. As chilenas adquiriram 60% das ações da Cerj postas à venda; a portuguesa ficou com 30% e a espanhola, com 10%.


