CONSERVAÇÃO DE SOLO - Ação da Seab tentará combater erosão
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 01 de agosto de 2005
Andréa Lombardo<BR>Equipe da Folha 
Curitiba A Secretaria de Estado da Agricultura e Abastecimento (Seab) quer conter um possível avanço das erosões, assoreamento e contaminação de cursos d'água, provocados pelo descuido ou inexistência de técnicas de manejo de solo nas propriedades rurais do Paraná. O tema será debatido em seminários regionais, que começam, no próximo dia 9, em Assis Chateaubriand (72 km ao norte de Cascavel), e se estendem até o final de setembro (veja calendário).
O vice-governador e secretário de Estado da Agricultura e Abastecimento, Orlando Pessuti, destacou que as ações visam incentivar o produtor a adotar práticas agrícolas equilibradas, dentro do princípio do desenvolvimento rural sustentável. A intenção é envolver nessa etapa de orientação técnica e conscientização, pelo menos, 6 mil técnicos, produtores rurais e lideranças.
''Não é uma situação desesperadora, mas que eu vejo crescente, de propriedades que estão em processo de erosão'', alertou Pessuti. O descuido em algumas propriedades com a conservação do solo, para ele, foi decorrente do 'boom' da agricultura, que fez aumentar o plantio de soja, trigo e milho, por exemplo, por conta dos preços atrativos no mercado internacional. Com isso, muitos agricultores plantaram em áreas tradicionalmente usadas para a pecuária, ou incorporaram áreas do Arenito Caiuá, na região Noroeste, sem preparar adequadamente o solo.
Outro fator, apontou o secretário, foi a mudança nos equipamentos agrícolas, que passaram a ser fabricados com plataformas e barras de pulverização maiores. Alguns agricultores, em vez de adaptar as técnicas de manejo para o tamanho das máquinas, preferiram deixar de lado a implantação de curvas de nível ou sistema de terraceamento. Pessuti citou como exemplo uma propriedade no município de Roncador (100 km ao sul de Campo Mourão), que teve sua área degradada pela erosão pela falta de manejo adequado. ''O que aconteceu naquela propriedade foi um crime'', criticou.
A adoção do plantio direto por boa parte dos produtores, lembrou o secretário, ajudou a evitar a reincidência de processos de erosão graves como os que tomaram conta do Estado nas décadas de 60 e 70. Não há uma região específica, onde a secretaria tenha identificado uma concentração maior do problema. O Noroeste, no entanto, por causa do tipo de solo, é a região que mais preocupa.
Além de reacender no produtor rural a preocupação com a conservação de solos e água, os seminários vão tratar de novas técnicas de manejo. Entre elas, a que prevê a preservação nascentes existentes nas propriedades.


