Consequências podem ser dramáticas, diz economista
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terça-feira, 11 de outubro de 2005
Andréa Bordinhão<br>Equipe da Folha 
Curitiba Caso a União Európeia suspenda de fato as importações de carne do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo as consequências podem ser dramáticas, afirmou ontem o economista do Sindicato da Indústria de Carnes e Derivados do Paraná (Sindicarnes-PR), Gustavo Fanaya. Isso porque 90% do complexo carne mandado para fora do País são destes três Estados. Porém, Fanaya garantiu o embargo ainda não é oficial e que será decido hoje em um reunião do Comitê Técnico da União Européia. De janeiro a julho deste ano o Paraná exportou US$ 55 milhões do complexo da carne. Deste total, US$ 24 milhões foi para a Europa Ocidental.
Segundo Fanaya, ontem os importadores só se preocuparam em saber se os animais abatidos no Paraná são do Mato Grosso do Sul, ''o que não acontece já que o Paraná é auto-suficiente.'' ''Mas se o embargo se confirmar vai ser uma coisa difícil de se contornar. A União Européia é um referencial'', explicou o economista. Segundo Fanaya, o Paraná, assim como o Brasil, vende metade da sua produção para a Europa e com a suspenção das importações o preço do produto, que é puxado para cima pelas exportações, vai cair. ''Só não é possível prever quanto ainda'', afirmou.
Apesar de não ter conseguido conter as consequências econômicas, a Secretaria de Estado de Agricultura (Seab) está tomando medidas drásticas na fronteira com o Mato Grosso do Sul. Além de nenhum veículo com animais e produtos derivados de carne poder passar pela fronteira, todos os caminhões vazios estão sendo pulverizados. ''Estamos em alerta máximo. Nada vem, nada vai'', afirmou o secretário de Estado da Agricultura em exercício, Newton Pool Ribas.
O consultor da área de pecuária da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), Alexandre Jacewicz, explica que as pessoas que estiveram por perto dos locais com foco da doença devem cuidar porque podem levar o vírus na roupa, nos sapatos e até mesmo na pele. ''É preciso desinfectar até as rodas dos veículos'', explicou. Quanto ao prejuízo que o proprietário do rebanho infectado, o paranaense José Vezozzo, vai ter, o consultor afirmou que caso ele não seja futuramente considerado culpado pela foco da doença, pode ser ressarcido. ''Se ele estiver em dia com todas as obrigações sanitárias, pode não ser considerado culpado'', explicou Jacewicz.
A reportagem da Folha não conseguiu contato com nenhum membro da Faep que pudesse falar das consequências de um possível embargo das exportaçõese.


