Reunidos anteontem em Ivaiporã (130 km ao sul de Apucarana), presidentes de conselhos de sanidade animal de vários municípios do vale do Ivaí, decidiram exigir sustentação do governo para garantir a vacinação do rebanho bovino da Fazenda 7 Mil, contra a febre aftosa. A propriedade está ocupada desde abril de 1997 pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e existem denúncias de que, mais de dois mil bovinos, remanescentes do rebanho que havia na fazenda, estão sem vacina e qualquer tipo de manejo, há pelo menos três anos.
Durante o encontro, na sede do Departamento de Agricultura e Abastecimento da Prefeitura de Ivaiporã, membros dos conselhos e pecuaristas da região manifestaram-se apreensivos com o risco que representa a situação dos animais da 7 mil. Participaram da reunião, pecuaristas de Pitanga, Manoel Ribas, Ivaiporã, Arapuã, Jardim Alegre, Manoel Ribas, São João do Ivaí, Kaloré, Lunardelli, Lianópolis, Barbosa Ferraz e Fênix. Também estavam presentes, médicos veterinários da Defesa Sanitária Animal (DSA) e o chefe do núcleo regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab), de Ivaiporã (Seab), Richard Golba.
De acordo com um levantamento preliminar da Seab, existe nesta microrregião um rebanho de 315 mil bovinos. ‘‘O surgimento de um foco de aftosa na 7 mil, poderia representar um prejuízo sem precedentes para a pecuária da região Centro-Norte do Estado’’, avalia o presidente do Conselho de Sanidade Animal (CSA) de Ivaiporã, Anael Vieira.
Ontem, líderes do movimento finalizaram o documento e estavam percorrendo a região, colhendo assinaturas de representantes de vários conselhos.
‘‘Nosso objetivo é alertar as autoridades para o risco que estamos correndo e obter seu apoio para garantir a vacinação do gado’’, anunciou ontem Anael Vieira.
Conforme alegam integrantes dos conselhos de sanidade, nas atuais condições em que se encontram os animais na 7 mil, não existe outro meio de vaciná-los, que não seja com a utilização de cavalos apropriados e peões experientes. ‘‘Todos os fazendeiros da região estão dispostos a colaborar, cedendo animais e peões para a execução do serviço e para tanto precisamos da compreensão dos sem-terra e da sustenção do governo para entrar na fazenda’’, explicou ontem um dos líderes dos conselhos.
No documento, que também deverá ser divulgado nas próximas horas para a imprensa, os conselhos de sanidade reafirmam que, neste momento, a questão agrária deve ficar em segundo plano, a prioridade está voltada para a necessidade de proteção do rebanho bovino da região.
Membros dos conselhos lembraram que o governo federal está mobilizando até o exército e uma gigantesca estrutura para policiar fronteiras internacionais, tentando impedir a entrada de animais de regiões afetadas pela aftosa. ‘‘Ao mesmo tempo, o Paraná não pode ficar omisso à situação da Fazenda 7 Mil, que também representa uma situação de risco’’, alertou ontem um dos pecuaristas que subscrevem o documento.

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