Conselho vai estimular Proálcool
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quinta-feira, 21 de agosto de 1997
Agência Estado Brasília 
O presidente Fernando Henrique Cardoso cobrou ontem, ao criar o Conselho Interministerial do Açúcar e do Álcool (Cima), medidas concretas para a reativação do setor sucroalcooleiro no País. Disse que sempre defendeu o álcool como alternativa ecologicamente correta e com capacidade de oferecer empregos, e lembrou que fóruns são importantes na medida em que decidem e as decisões são implementadas.
O presidente lembrou que este é um desafio do Cima e, portanto, do seu governo. Vamos dar esperanças muito concretas àqueles milhões de brasileiros que dependem basicamente da estabilidade da produção sucroalcooleira. Para Fernando Henrique, o apoio ao álcool permitirá que as cidades respirem melhor, mantendo as misturas necessárias e, quem sabe, não só na gasolina, mas no diesel também.
O Cima será integrado pelos ministros da Indústria, Comércio e Turismo, da Fazenda, Agricultura, Minas e Energia, Meio Ambiente, Relações Exteriores, Ciência e Tecnologia e Casa Civil. Haverá um comitê técnico, formado pelos secretários-executivos dos ministérios, e um conselho consultivo, com a participação de produtores de álcool, plantadores de cana e representantes de entidades de classe.
O ministro da Indústria, Comércio Francisco Dornelles, que presidirá o Cima, garantiu que não haverá subsídio ao álcool. O que queremos é fortalecer o Proálcool, tentando melhorar a produtividade e a qualidade, mas não passa pela cabeça do governo pensar em qualquer forma de subsídio, disse. Em seu pronunciamento, lembrou que a produção de cana-de-açúcar na safra 1997/98 deverá ser recorde, com 305 milhões de toneladas, e disse que poderá haver um excedente de álcool de 2,3 bilhões de litros.
A produção de açúcar e álcool, segundo Dornelles, além de contribuir com 2,2% do Produto Interno Bruto (PIB), permite a manutenção de cerca de 1,3 milhão de empregos diretos. Além disso, a produção de álcool permite substituir cerca de 220 mil barris de petróleo por dia, o que representa economia direta de divisas da ordem de US$ 29 bilhões, ao longo de seus 20 anos de existência.
IMPOSTO VERDE A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente, Aspásia Carmargo, anunciou que o governo deverá apresentar emenda constitucional ao Congresso propondo a criação do imposto verde. Ela garantiu que não haverá aumento de preços para o consumidor, mas apenas a transparência de um custo hoje embutido no Frete Unificado de Preços, onde há uma série de compensações para os combustíveis. Os recursos do imposto deverão ir para um Fundo que vai financiar projetos de energia renovável.


