Conselho nega reajuste salarial no Banestado
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sábado, 29 de novembro de 1997
Carmem Murara Curitiba 
CuritibaDisputa internaNeco Garcia perde a batalha do reajuste para o secretário da Fazenda, Giovani GionédisO Conselho Administrativo do Banestado rejeitou ontem a proposta de reposição salarial para os funcionários, que tinha sido anunciada pela própria diretoria do banco dias atrás. O conselho entendeu que o Banestado passa por um processo de reestruturação e por isso seria impossível aumentar salário. O reajuste previa um índice de 5% em julho do próximo ano mais dois abonos salariais. Os conselheiros abriram possibilidade de voltar a discutir a questão em março do próximo ano. O Sindicato dos Bancários reagiu prometendo protestos a partir de segunda-feira.
A reunião do Conselho durou três horas e foi feita num clima de tensão. O presidente do banco, Manoel Garcia Cid, defendia o reajuste, mas teve que se aceitar a tese imposta pelo Secretário da Fazenda, Giovani Gionédis. O banco passa por um momento sério de sua existência. No momento em que precisa de aporte financeiro de R$ 1,5 bilhão e que o Estado vai assumir isso para dar estabilidade à instituição, não se pode pensar em aumento, justificou Gionédis.
O reajuste é questão de Justiça para os funcionários, afirmou Neco Garcia, momentos antes do início da reunião, mas sua defesa foi derrotada.
Gionédis disse que não pretendeu desautorizar a diretoria do banco ao defender o reajuste zero, mas ressalvou que o momento não era oportuno.
No meio da crise interna criada entre Secretaria da Fazenda e Banestado, Neco Garcia não escondeu um grau de constrangimento com a situação. Mas preferiu não polemizar. Não me julgo desautorizado, pois só cumpro normas. Se o sócio controlador (governo) não concordar, nós temos que obedecer estas determinações, disse Garcia. Ele adiantou que não tem intenção de sair do banco por causa da divergência com Gionédis, descartando especulações a respeito.
Além do presidente, o único membro do conselho que defendeu o reajuste em julho foi a representante dos funcionários, Zimara de Andrade Nascimento. Isso nunca aconteceu antes no banco (voltar atrás numa proposta fechada). Não acho difícil a categoria iniciar uma greve, avaliou.


