São Paulo A redução da jornada de trabalho de 44 horas para 40 horas semanais é uma das 21 propostas das centrais sindicais para acelerar a retomada do crescimento econômico. As propostas serão discutidas hoje na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), que contará com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro da Fazenda, Antonio Palocci.
Segundo as centrais sindicais, a redução da jornada de trabalho tem um efeito direto na geração de emprego. Estudos do Departamento Intersindical de Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) mostram que 1,9 milhão de novos postos de trabalho podem ser gerados com a redução de 10% na jornada semanal.
''O governo está patinando em algumas áreas e nós (centrais sindicais) fazemos parte do Conselho e temos o direito de dar conselhos ao presidente (da República). Se bem que se conselho fosse bom, ninguém dava'', disse o presidente da Força, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho.
As centrais sindicais já sabem que encontrarão resistência dentro do próprio Conselho para aprovar a proposta de redução da jornada sem corte de salário. ''A solução seria buscar a ajuda do governo, que poderia dar incentivos fiscais para as empresas reduzirem a jornada'', disse Paulinho.
Crise O documento com 21 propostas das centrais, intitulado A Pauta do Crescimento, é assinado pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Confederação Geral dos Trabalhadores (CGT), Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB), Central Autônoma dos Trabalhadores (CAT) e Força Sindical.
Segundo Paulinho, a união de todas as centrais sindicais que acumulam histórico de divergências em torno de um tema comum expressa a gravidade da situação brasileira. ''Brigamos na bonança e nos unimos na crise. Se a situação estivesse boa para todo mundo, talvez não estivéssemos juntos.''
OIT Paulinho disse que criticou o estudo divulgado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT), que informa que a jornada de trabalho do brasileiro está entre as menores do mundo. ''Contestamos o estudo, que mostra que o brasileiro trabalha 35 horas semanais. Na indústria e comércio, a jornada supera 41 horas'', disse o sindicalista.
O presidente da Força disse que pediu para o ministro do Trabalho, Jaques Wagner, contatar a OIT para pedir a retificação dos dados relativos à jornada de trabalho do brasileiro.

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