CONSELHO DE ECONOMIA
Todo o processo produtivo culmina com a geração de algum tipo de resíduo. Na atualidade, ainda é impossível não se ter perda de matéria ou de energia nas atividades industriais. Por isso mesmo, tem sido muito discutida a possibilidade de aproveitar essas perdas, seja pelo aspecto econômico como, também, pelo ambiental.
Já existem diversas tecnologias desenvolvidas para que se possa aproveitar os resíduos dos mais variados processos produtivos. Algumas de fácil adoção, outras exigindo maiores investimentos, mas todas disponíveis no mercado. Porém, no momento em que se define a tecnologia para o aproveitamento dos rejeitos e se investe em um novo processo produtivo, o que era resíduo passa a ser considerado matéria prima e, dependendo da forma como isso for encarado, poderá gerar um outro tipo de problema. Explicamos: não se pode criar um novo processo produtivo sem projetar que o mesmo seja rentável e duradouro e, para tanto, espera-se a disponibilidade de matéria-prima em quantidades e preços competitivos.
Como a matéria-prima em questão é resíduo de um processo anterior, surge o dilema. Se o processo produtivo gerador de resíduo tiver melhoria tecnológica e de produtividade, fatalmente gerará menos matéria-prima para a outra cadeia produtiva criada a partir do aproveitamento dos rejeitos. Então, ou a cadeia produtiva original estará condenada à estagnação, ou a segunda cadeia será eternamente refém dos resultados da primeira.
Para evitar erros e desperdício de recursos, é fundamental saber a quantidade de resíduos considerados como matéria-prima, ou seja, aquilo que será irremediavelmente gerado, mesmo com a adoção de tecnologias de ponta e altos indicadores de produtividade. Essa preocupação surgiu para o Instituto Brasileiro da Qualidade e Produtividade quando passou a integrar o Fórum de Competitividade da Cadeia Produtiva de Madeira e Móveis do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio. O IBQP desenvolveu, em parceira com a Secretaria de Estado da Indústria, do Comércio e do Turismo, um projeto que visa quantificar e qualificar os resíduos dessa cadeia produtiva, bem como modelar sistemas tecnológicos para o aumento da competitividade da indústria paranaense de móveis e madeira.
Para tanto, está previsto o levantamento da geração de resíduos de madeira em 61 cidades do Paraná, determinando as quantidades e os diferentes tipos gerados, os atuais índices de produtividade da matéria-prima, além de projetar os índices futuros com o advento da inovação tecnológica e fazer a modelagem matemática e computacional dos sistemas de aproveitamento desses resíduos. É um projeto inovador que pressupõe a necessidade de sabermos onde estamos, para onde vamos e ainda revela que, com a tecnologia da modelagem, podemos testar as variadas formas de aproveitamento. É, também, uma reflexão a respeito do que é, de fato, resíduo.
Valter Caramelo Silva é consultor do Núcleo de Desenvolvimento Sustentável do IBQP.





