CONSELHO DE ECONOMIA
O Projeto GEM Global Entrepreneurship Monitor que avalia o empreendedorismo no mundo e formula indicadores comparativos sobre esse fenômeno, enfatiza no relatório de 2001, as diferenças entre o empreendedorismo gerado por necessidade e o gerado por oportunidade. O documento também destaca a necessidade de se diferenciar a motivação das iniciativas empreendedoras e avaliar suas possíveis relações com o crescimento econômico.
O empreendedorismo por oportunidade, em geral caracterizado pela criação de empresas de maior complexidade organizacional, maior nível de tecnologia e maior intensidade de conhecimento é, sem dúvida, mais vantajoso e têm merecido a atenção da maioria dos programas de ensino e apoio a novos negócios no Brasil e no mundo. O curioso é que o Brasil, apesar da instabilidade de seu crescimento, nos dois anos em que participou da pesquisa, situou-se entre os cinco países com maior nível de empreendedorismo no mundo, tendo, inclusive, ocupado o primeiro lugar no ano 2000. Nosso país também é o que apresenta o maior percentual de mulheres empreendedoras, além de taxas mais altas que a média global entre os empreendedores mais jovens e os mais idosos.
Esses indicadores seriam alentadores se, numa análise mais profunda, não refletissem o fato de que pertencemos ao grupo de países com elevada ocorrência do empreendedorismo por necessidade - 40% das iniciativas -, fortemente associado a estratégias de sobrevivência familiar. Nossos empreendimentos são, na maioria, de pequeno porte, baixa tecnologia e baixo aporte de capital, mostrando-se fortemente associado a situações de subdesenvolvimento.
Sabemos que é impossível saltar, de um dia para o outro, do empreendedorismo por necessidade para o empreendedorismo por oportunidade. Para que isso ocorra, é preciso adotar medidas de caráter estrutural e, portanto, de longo prazo, relacionadas à educação, à capacitação gerencial, ao desenvolvimento tecnológico e econômico. No entanto, desde já, precisamos focar os aspectos positivos, buscando ampliá-los e difundi-los. É ponto positivo, por exemplo, esse impulso do brasileiro de lançar-se no mundo dos negócios. É uma atitude que gera renda àquele que estaria desempregado e gera ocupação, ainda que apenas para o dono do negócio e seu cônjuge. Além disso, atende à parte da demanda por produtos ou serviços.
Enfim, devemos ajudar esse empreendedor a fazer melhor o que ele já faz e a sobreviver no mercado. Sob este aspecto, especialistas consultados pelo GEM acreditam que a desoneração fiscal e trabalhista, linhas adequadas de créditos, capacitação e apoio institucional e de infra-estrutura são fundamentais para o fortalecimento do empreendedorismo no país, em particular para aquelas atividades associadas a processos de inovação, que normalmente envolvem maior risco e requerem mais recursos.
- Simara Greco é Coordenadora Executiva do Projeto GEM Brasil, sediado no IBQP





