CONSELHO DE ECONOMIA
Em plena safra de grãos, o setor rural está queixando-se dos baixos preços da soja, aventando, inclusive, a hipótese da ocorrência de prejuízos. O que existe de real nessa questão? Provavelmente neste ano os produtores rurais se obrigarão a enxergar uma série de questões que têm sido relegadas, destaca o economista Luiz Antonio Fayet. Para ele, com a estabilidade dos preços internacionais da soja e a pequena elevação dos preços internos deflacionados em relação ao ano passado, fica mais visível o que se chama de custo Brasil.
Nos últimos sete anos, a carga tributária aumentou em 40%. Começaram a ser cobrados os pedágios no Paraná, que representam quase 3% do valor do produto e, principalmente, o governo insiste na sua política de deixar o dólar artificialmente barato, provocando uma perda de renda que age como se fosse um imposto sobre as exportações.
Em sua análise, Fayet recorda que no auge da comercialização da safra passada, o preço do dólar estava próximo de R$ 2,70, que, corrigindo inflacionariamente, equivaleria hoje entre R$ 2,90 a R$ 3,00. Como o câmbio está abaixo de R$ 2,40, isto representa por si só uma perda de uns 20% sobre o preço total do produto. Entretanto, excluindo dos preços os custos, verificaremos que representa mais de 80% da lucratividade potencial dos produtores, calcula. De acordo com ele, a capacidade de investimento dos produtores é diretamente proporcional aos seus lucros, logo, praticamente empatando a conta das receitas e das despesas, há a tendência de se interromper o processo de recuperação da agricultura, reduzindo a aquisição de maquinário, material de transporte, instalações e até o consumo pessoal.
Como a agricultura alavanca parte substancial da economia brasileira, Fayet afirma que constata-se mais uma vez o erro absurdo perpetrado pelo governo, fazendo intervenções no mercado de câmbio, beneficiando a economia financeira e prejudicando a economia da produção. Fayet observa ainda que para manter a artificialidade cambial, o governo mobilizou em doze meses perto de 15 bilhões de dólares, ou seja, quase o valor de construção de uma Itaipu.
Sem reforma tributária e sem aumentos nos preços internacionais, no curto prazo só resta como alternativa o aumento do preço do dólar, que permitiria uma melhor e justa remuneração da agricultura e a ativação das economias do interior do País. Do lado dos custos qualquer alteração é mais difícil, pois a produtividade de nossas lavouras já é superior às dos EUA.
Para piorar, a bancada ruralista na Câmara acaba de aprovar mais um discutível privilégio para as dívidas do crédito rural, que premia uns poucos ditos agricultores, em vez de se preocupar em garantir justo preço aos que trabalham no setor rural e que pagam pontualmente seus compromissos. Penso que os produtores e todos os interessados em que o setor rural vá
bem deveriam observar esses três pontos e se mexer, conclui.
e mail [email protected]
site www.corecon-pr.org.br





