CONSELHO DE ECONOMIA
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 21 de março de 2002
Gilmar Mendes Lourenço 
Desde a segunda metade da década de 90, a expressão Responsabilidade Social vem ganhando espaço entre as propostas e as iniciativas das organizações privadas para o encaminhamento da resolução, ou ao menos o abrandamento, dos problemas mais prementes da sociedade brasileira: a dívida e a exclusão social. Daí o progressivo envolvimento das empresas em projetos direcionados às áreas de educação, meio ambiente, crianças de rua, geração de renda e atividades culturais, vinculados à dinâmica das comunidades e/ou dos mercados por elas atingidos.
É impossível negar que essa maior aderência ao ambiente externo representa um pronunciado diferencial competitivo para as corporações, especialmente em uma economia de mercado, caracterizada pela busca incessante de alternativas de agregação de valor aos produtos e serviços ofertados.
Cumpre lembrar aqui sublinhar que aqueles passivos que se tentam equacionar foram construídos ao longo de mais de cinco decênios de aplicação de modelos centrados na valorização selvagem dos capitais produtivos e/ou financeiros e na marginalização da maioria da população do país dos frutos das fases ascendentes do ciclo econômico.
A omissão do Estado decorrente de sua crise financeira nascida no final dos anos 80, limitando seu poder de gasto e de investimento, sobretudo em ambientes hiperinflacionários, predominantes entre 1988 e a fase pré-real dos 90, mascarados pela indexação generalizada da economia, somada à retórica liberalizante, acentuada mundialmente depois do Consenso de Washington de 1988, incitou uma guinada na postura estratégica do setor privado.
Nesse sentido, e até como forma de preservação dos negócios em um clima mais competitivo e qualitativamente superior, as empresas procuraram diminuir sua condição de credor líquido do governo, por meio da rolagem dos títulos públicos, e passaram a se dedicar à organização de empreitadas mais efetivas e audaciosas no combate a tais mazelas.
Mas, a diminuição das desigualdades no Brasil impõe não a extinção, a privatização ou a minimização das funções do Estado. Tal tarefa exige a remodelação do setor público e a adoção de políticas que possam compatibilizar as demandas da Nova Economia e o pagamento das contas sociais deixadas pela Velha. Essencialmente, essa seria a melhor conduta social da moderna macroeconomia.
- Professor da FAE Business School. [email protected]
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