Restrições dos EUA ao aço




O governo americano há poucos dias tomou novas medidas protecionista de sua economia, dessa vez criando ‘‘sobretaxas alfandegárias’’ de até 40%, nas importações de aço e seus produtos. Que se pode falar sobre tal atitude e quais as consequências para o Brasil ?
O governo americano prega o livre comércio para o mercado dos outros, mas no seu age como um senhor feudal, criando muralhas de todos os tipos para evitar a competição de produtos estrangeiros, sem dar a mínima satisfação às regras e aos acordos da OMC (Organização Mundial do Comércio), destaca o economia Luiz Antonio Fayet. De acordo com ele, quando não são as sobretaxas como aplicam no aço, suco de laranja e outros, criam barreiras sanitárias como nos casos das carnes e frutas que procuramos exportar. No entanto, acrescenta, ôo pior são os subsídios diretos que o governo dá aos produtores, no caso da soja segundo estudos da CNA- Confederação Nacional da Agricultura, metade da renda líquida dos produtores americanos provém dos ‘‘subsídios governamentais’’.
Para Fayet, esta questão é muito maior do que a do aço, pois além de impedirem entrada de nossos produtos lá, tiram mercado de nossa produção no resto do mundo, tudo dentro da mais descarada ôconcorrência desleal#. Em sua análise, ‘‘este episódio mostra às claras a postura americana ‘faça o que eu digo, mas não o que eu faço’, logo, temos de jogar duro: denunciar na OMC o protecionismo, retaliar, abandonar as discussões sobre a Alca e fazer nossa representação diplomática atuar’’.
O economista Sérgio Martenetz afirma que as salvaguardas criadas pelos Estados Unidos nas importações de aço do resto do mundo geraram debate internacional que mostra como é frágil a retórica dos países quando confrontada com os interesses econômicos e políticos internos. ‘‘Nessa questão do aço prevaleceu o interesse político interno do governo norte-americano, dando apoio aos patrões e empregados do seu imenso e obsoleto parque siderúrgico’’, observa, destacando que ‘‘os países prejudicados, entre eles o Brasil, obviamente reclamam e devem mesmo reclamar, tentando fazer valer os acordos internacionais e a retórica dos mercados abertos‘‘.
Martenetz salienta que ‘‘é evidente que nesse jogo de interesses econômicos e políticos internos de cada país, todos puxam a sardinha para o seu próprio lado e, com certeza, não há país no mundo que não utilize, como regra ou de forma episódica, o protecionismo’’. Os Estados Unidos, os países europeus, os países asiáticos, os latino-americanos, todos, em maior ou menor grau, segundo sua opinião, manipulam o protecionismo para atender imperativos políticos e econômicos domésticos. ‘‘Isso é parte do jogo internacional, do difícil e complexo ajuste dos interesses diversos de inúmeras nações’’.
Para o economista o que não deveria ocorrer, da parte de nenhum país, ‘‘é o exagero protecionista, seja ele generalizado, em relação ao seu mercado interno, seja específico para determinados produtos. A negociação e a ausência de emocionalismo são fundamentais nessa questão, para que se alcance a virtuosa linha mediana e os processos comerciais possam fluir sem muitos traumas’’.
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