Conselho de Economia
As incertezas na Argentina continuam alternando questões políticas com econômicas. Como se pode diferenciar as causas, as soluções propostas e os reflexos para o Brasil?
Para o Economista Vamberto Santana, a sobrevalorização cambial adotada com a paridade fixa (dólar barato), por aproximadamente 10 anos, influenciou negativamente a evolução da economia Argentina sob diversas formas: redução das exportações líquidas (balança comercial deficitária); debilitação do parque produtivo interno preterido pelas importações e desemprego interno crescente com redução da renda das pessoas.
Santana afirmou que torna-se claro que o encaminhamento de soluções duradouras passa necessariamente pelo componente político institucional, pois as mudanças terão de ser profundas , com sacrifício nacional, mas indispensáveis para a recuperação do País.
O economista Maurílio Schmitt analisa a questão, lembrando a cartada de alto risco jogada pela Argentina, ao estabelecer a paridade fixa de sua moeda com a de um outro país (EUA). De acordo com sua opinião, chegado o momento duro de administrar junto à sociedade os efeitos e os custos da saída desse regime, pela adoção de uma moeda de referência interna e soberana que precifique as ineficiências e as diferenças de sua economia represadas artificialmente durante o período de paridade fixa (dólar barato), o fenômeno adquire evidentes contornos políticos.
A sucessão de governantes provisórios, para concluir o mandato de Fernando De La Rúa, se dá pelo grau de dificuldade para gerir este processo de transição para uma nova unidade referencial de valor que não sobressalte o povo argentino com o fantasma do retorno da hiperinflação.
Para Schmitt, a partir do episódio argentino agora colocado a nu e de maneira tão efervescente, o que se pode vislumbrar de positivo para o Brasil é que, definitivamente, no plano econômico não há espaço para políticas populistas e nem para mágicas. Há algumas décadas não existia coesão nem coordenação das políticas públicas acionadas pelo Governo Central argentino e os Governos provinciais; os gastos públicos foram se expandindo acima do volume das receitas disponíveis e não se vincularam virtuosamente à criação de novas fontes de riqueza para o país, observou.
Ele ressaltou que práticas parecidas acontecem também no Brasil, como de resto em outras economias latino-americanas. No entanto, enfatizou, que felizmente, nós já engatinhamos em cima de novos marcos institucionais: o câmbio flutuante (em oposição ao câmbio administrado que aqui vigorou até o início de 1999) e a Lei de Responsabilidade Fiscal, que impõe novos padrões e novas condutas para a execução dos orçamentos públicos.
Finalizando, o economista destacou que a eclosão da crise argentina deve, portanto, ser um sinal, uma advertência para que jamais se reinstalem no Brasil procedimentos populistas, hoje tão arduamente sendo apagados de nossos costumes.





