CONSELHO DE ECONOMIA
Há poucos dias o Governador do Paraná anunciou o cancelamento do processo de privatização da Copel, usando alguns dos argumentos há muito levantados pelos opositores da venda das ações pertencentes ao Estado. Afinal, que lições e verdades emergem desse processo ?
Na opinião do economista Luiz Antonio Fayet, a nova posição adotada pelo governo do estado mostra claramente que é no mínimo um governo sem rumo, sem planejamento e principalmente sem visão estratégica, apesar de ter um punhado de Secretarias que deveriam cuidar disso, pois não viu ou não quis ver, o que técnicos de diversas áreas já apontavam como tendências fatais. Ainda em sua análise, Fayet acrescenta que o comunicado oficial inicia falando como fatos novos, os atentados terroristas de 11 de setembro e o agravamento da crise da Argentina que já completa quase dois anos, quando a tentativa de venda da Copel se arrastou desde outubro até novembro, ou seja, já eram fatos velhos.
De acordo com ele, apagão, déficit de eletricidade, aumentos de tarifas e mudanças na política federal, eram questões que já vinham acontecendo ou sendo anunciadas desde meados do ano passado, consequentemente, também antes do início do processo de venda pretendido. E acrescenta, o governo do estado diz que o governo federal adiou a abertura do mercado conforme previsto anteriormente, o que não é verdade, pois a Lei 9648/98 (Art. 10) que estabelece a liberação paulatina das vendas e compras a partir de 2.003, não foi revogada.
Finalizando, o economista afirma que na verdade, quem barrou o processo foi a mobilização da sociedade, especialmente do forum popular contra a venda, que mostrou irregularidades nos procedimentos, inconveniências para a sociedade, risco de lesão ao patrimônio público e outros argumentos, acatados pela Justiça Federal que sustou o processo.
O economista Cid Cordeiro, também do Corecon-PR, lembrou que o governo alegou que o cancelamento da privatização da Copel se deve às mudanças na política energética do país, determinadas pelo governo federal. Em sua opinião, o processo de venda não se concretizou porque os interessados pela estatal paranaense não tinham os recursos para comprá-la. Isso ocorreu, segundo ele, devido à crise internacional que surgiu após os atentados terroristas contra os Estados Unidos.
Cordeiro afirmou também que o governo alegou que parou o processo de privatização porque o cenário energético está instável. Ora, esse cenário já estava instável antes. Os investidores estavam receosos em aplicar dinheiro no setor energético brasileiro, argumenta. O economista afirma ainda que a Copel seria privatizada para capitalizar o Paraná Previdência, justificava o governo. E, agora, divulga outras alternativas para destinar recursos e capitalizar o fundo previdenciário.





