Pesquisas preliminares da inflação indicam que o índice de janeiro será maior do que o Governo esperava. O Copom já sinalizou que manterá a taxa básica de juros em 19% ao ano. O balanço de pagamentos também continua apresentando déficites. Esses sinais confirmariam as expectativas de que haverá restrições ao crescimento econômico em 2002?
Para o economista Cid Cordeiro do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), a inflação encerrou o ano de 2001 bem acima da meta estimada pelo Banco Central (BC) – taxa de 4% com limite superior de 6%. Os principais responsáveis pela inflação de 7,7%, segundo estudos do próprio BC, foram: depreciação cambial (38%); inflação livre (28%); preços administrados (22%) e carregamento da inércia de 2000 (10%).
Ele destaca que, além de uma inflação elevada, 2001 registrou um baixo nível do crescimento econômico – crescimento do PIB estimado em 2,5% – para uma projeção inicial de 4,5%. ‘‘Crescemos menos e os preços subiram mais que as previsões iniciais, como reflexo da nossa vulnerabilidade externa. O déficit nas contas correntes levou à depreciação do real e à restrição monetária (aumento da taxa de juros). A desvalorização do real foi o principal componente da inflação em 2001 e a alta taxa de juros inibiu o crescimento econômico’’, analisa.
Neste contexto, o que esperar de 2002? Cordeiro citou as metas que o BC anunciou para 2002: inflação de 3,7% (meta de 3,5% com limite superior de 5,5%), taxa de juros de 19%, taxa de câmbio no valor de R$ 2,34 e o mercado estima uma taxa de crescimento do PIB de 2,5%. ‘‘Sem dúvida o BC trabalha com um cenário otimista para os preços em 2002, a inflação de janeiro e a briga para o consumidor sentir nas bombas a queda no preço dos combustíveis são uma pequena amostra das dificuldades a serem enfrentadas para chegar a meta estipulada pelo BC.’’
Finalizando, o economista analisa: ‘‘o fato é que estamos sendo governados pela vulnerabilidade externa construída ao longo dos 7 anos de plano real. Estas estimativas anunciadas pelo BC têm um alto grau de dependência do cenário externo, ou seja, o raio de governabilidade do BC sobre as principais variáveis (taxa de câmbio, juros, investimentos externos) são baixas. São promessas que dependem mais dos humores externos do que das políticas internas. As previsões do BC tanto podem ter 100% de acerto como 100% de erros como em 2001’’. Acrescentou que ‘‘as incertezas continuarão até que o país consiga resolver o seu gargalo externo: déficit das contas correntes e seu efeito colateral interno: juros altos e seus impactos sobre as contas públicas e o crescimento econômico.
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