CONSELHO DE ECONOMIA
Decisões na Argentina e reflexos no Brasil
Finalmente o governo argentino, já nas mãos do Presidente Duhalde, tomou as primeiras decisões de política econômica, consubstanciadas: adiamento dos pagamentos de dívidas externas, eliminação da paridade dólar/peso com a criação transitória de um câmbio comercial com o exterior e, congelamento em pesos de dívidas em valores inferiores a 100 mil dólares. Que se pode prever para a economia argentina neste ano e suas repercussões no Brasil?
O vice-presidente do Conselho Regional de Economia do Paraná (Corecon-PR), economista Norberto Ortigara disse que com a desvalorização do câmbio, passando a 1,40 pesos por dólar, a agricultura brasileira sofrerá um forte impacto, mas especialmente a paranaense. Na sua opinião, as culturas que mais serão afetadas serão: milho, batata, cebola e feijão preto. Também as agroindústrias de lácteos e de frangos terão um forte abalo. Se lá a relação cambial permanecer no patamar atual e no Brasil em 2,35 reais por dólar, o setor rural brasileiro só poderá competir se baixar a margem de rentabilidade para próximo de zero, destaca.
Já o conselheiro do Corecon-PR, economista Luiz Antonio Fayet, entende o governo argentino está certo, fez o que devia e da forma como politicamente foi possível. Com tais medidas os produtos argentinos recuperam competitividade internacional, crescerão as exportações e as substituições de importações gerando crescimento e empregos e vão complicar nossas posições tanto no mercado argentino, para onde mandamos perto de 8% do total de nossas exportações, bem como no mercado internacional onde competimos na soja, veículos, carnes e produtos florestais.
O presidente do Corecon-PR, economista José Moraes Neto, coloca que no curtíssimo prazo, em razão da moratória e da consequente perda de crédito das empresas argentinas no sistema financeiro internacional, os negócios entre os dois países estão praticamente suspensos, limitados apenas a pouquíssimos casos onde os contratos se realizam à vista ou com garantia bancária. Estes negócios podem ser retomados tão logo o mercado financeiro argentino venha funcionar normalmente e as empresas importadoras argentinas voltarem a ter acesso ao crédito.
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