Vários pronunciamentos têm ocorrido, referindo-se à convivência da data de 31 de outubro para o leilão da Copel. Na opinião do economista Luiz Antonio Fayet, a privatização deveria ser feita com a entrada de outros sócios privados, que se obrigariam a respeitar um plano estratégico e colocar mais dinheiro para ampliar os negócios em eletricidade e gás, num modelo semelhante ao bem sucedido caso da Embraer. Entretanto, sob o aspecto do mercado de investimentos, ele lembra a posição do presidente do BNDES, que considerou ruim a hora para a venda. ''É difícil para qualquer empresa assinar um cheque de dois milhões de dólares em qualquer lugar do mundo.'' Este fato seguramente derrubará o ágio (prêmio) da venda causando prejuízo para o patrimônio público, pois os primeiros grupos investidores estão receosos, prova disso, é a desistência de vários interessados no negócio, hoje conhecido no mercado como o 'filé mignon' das empresas elétricas.
Fayet destaca que apesar de regulamentadas as relações entre geradores e distribuidores, há um litígio imenso entre tais agentes, com referência a quebras de contratos como ocorreu com o apagão. ''Conforme se desenhe a solução para esse litígio bilionário, teremos valorização ou desvalorização das empresas. Na avaliação da Copel, foi considerada a pior hipótese'', salienta. Com relação às tarifas de venda de energia, enfatiza que pelas normas legais em vigor, a partir do ano que vem, a cada ano 25% dos contratos do fornecimento serão liberados e as renegociações contemplarão fatalmente ajustes tarifários.
O economista acredita que, simultaneamente, a crise elétrica vai determinar elevações de tarifas, pois as novas usinas serão predominantemente termoelétricas, que têm custos operacionais pelo menos 50% maiores do que as hidroelétricas, que compõem quase a totalidade da geração da Copel. Como o sistema de avaliação adotado (fluxo de caixa descontado), considera de uma maneira decisiva a perspectiva de receitas, o economista observa que o melhor momento seria a partir de 2003.
Para o economista Odisnei Antonio Bega, o governo do Paraná precisa vender para acertar momentaneamente seu caixa e, de outro, a sociedade paranaense, pelos seus representantes legais e entidades de classe, posicionando-se esmagadoramente contra a venda. Ele analisa que para o governo, apesar dos argumentos favoráveis à venda, a conjuntura econômica é a pior possível, pois basta observar o número de empresas que se habilitaram, mas desistiram neste momento. ''Quase todas multinacionais que julgaram inoportuno novos investimentos dada à crise e incertezas que a economia mundial atravessa. A venda poderá ocorrer, mas não com aquela disputa e, consequente ágio, que o vendedor espera'', observa. O economista acrescenta a tais elementos a dúvida que paira sobre o valor mínimo de venda. ''Os segmentos que se posicionam contra a venda, argumentam ser este valor subavaliado'', enfatiza.
''O ganhador, como já disse, é o combalido caixa do governo do Paraná. Perde, no entanto, a sociedade paranaense que, mais uma vez, tem seu patrimônio público transferido para grupos privados. Com isso, nós paranaenses não seremos mais donos de uma empresa competitiva, lucrativa e, principalmente, espelho de nossa capacidade técnica'', conclui.

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