Conselho da Global Telecom muda direção
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sábado, 20 de março de 1999
Mari Tortato 
O Conselho de Administração da Global Telecom, consórcio que explora a Banda B da telefonia celular no Paraná e Santa Catarina, está em busca de um novo perfil de executivo para comandar a empresa. O atual presidente, Francisco Loureiro, deixa o cargo dia 30 deste mês. A decisão de afastar Loureiro e rediscutir toda a diretoria vem sendo amadurecida desde o início de fevereiro, e é consequência da frustração das expectivativas de disputa do mercado de telefonia celular nos dois Estados.
A queda de Loureiro tem sido comentada em circuito restrito nas últimas duas semanas e ontem foi confirmada à Folha por um empresário de São Paulo, que integra uma das empresas acionistas. A Folha buscou confirmação oficial com o presidente da Inepar - uma das cinco empresas controladoras da Global -, Atilano de Oms Sobrinho, que está nos Estados Unidos, mas ele não deu retorno aos recados gravados no seu telefone de contato. Francisco Loureiro também não foi localizado. Ele já teria admitido estar deixando a presidência da empresa a um veículo de comunicação de circulação nacional.
O afastamento de Loureiro e a rediscussão de todos os cargos-chave da direção da Global Telecom estão diretamente ligados ao desempenho da empresa na conquista do mercado paranaense e catarinense da telefonia celular. Os acionistas não param de apontar falhas estratégicas que impediram a alavancagem do serviço e o consequente resultado satisfatório de lançamento. A troca de comando em curso visa garantir o máximo de satisfação técnica e de atendimento dos já assinantes e corrigir a rota na conquista do mercado potencial, imprimindo agressividade na disputa com a Tele Celular Sul e a Sercomtel, em Londrina.
Na programação de lançamento no final do ano passado, a meta da Global Telecom era já entrar no mercado no início de janeiro com uma carteira de 25 mil assinantes, em busca de um crescimento que alcançasse uma demanda de 125 mil assinantes a longo prazo. Passados quase três meses, a carteira está restrita a 12 mil assinantes no Paraná e Santa Catarina.
Nesta fase de arrancada, a Global Telecom vem apostando na região da Grande Curitiba e no eixo Londrina-Maringá, como áreas potenciais para concentração de 70% de seu mercado. A agora privatizada Telepar Celular (do grupo Tele Celular Sul) conseguiu manter 95% do mercado da Região Metropolitana de Curitiba, e em Londrina a disputa com a Sercomtel ainda não apresentou resultados satisfatórios.
O baixo desempenho dos primeiros meses levou os acionistas estrangeiros da Global Telecom - DDI e Motorola - a liderar a decisão de executar as mudanças no comando da empresa, endossada pelos demais acionistas. O Conselho de Administração da Global é formado pela DDI, que detém 29% do capital investido; grupo Suzano de Papel e Celulose, também com 29%; Motorola, com 22%, Inepar, com 10%, e Nisso Iwai, também com 10%. O consórcio ganhou a concorrência para exploração da Banda B de telefonia celular em abril de 98. Está investindo R$ 1,3 bilhão na disputa de mercado dos dois Estados do Sul.
O sinal público mais evidente do afastamento de Francisco Loureiro do comando da Global Telecom se deu na última quinta-feira, em Curitiba. No escritório da Global Telecom de Curitiba, havia três cadeiras dispostas para uma coletiva com a imprensa no lançamento de um novo serviço, do telefone StarTac Iridium, com número internacional, destinado a um seleto público de empresários e altos executivos. Loureiro não compareceu. Apenas os diretores de Marketing da Global, Sávio Bloomfield, e da Iridium Brasil, Ricardo Woitowicz, fizeram a exposição do novo produto.
Francisco Loureiro chegou à presidência da Global Telecom apontado por um head-hunter como o perfil adequado para comandar a nova empresa, depois que o consórcio venceu a concorrência pela Banda B. Ele é um executivo experiente. Vem de uma atuação de quatro anos na área de telecomunicações nos Estados Unidos, e quando sua empresa particular fechou contrato com a Global Telecom, dirigia a Global One, do grupo Sprint, em São Paulo. A faixa de salário do principal executivo da Global Telecom gira nos US$ 350 mil ao ano.


