Curitiba - O Conselho Paritário dos Produtores e Indústrias de Leite do Estado do Paraná (Conseleite), formalizado na terça-feira, pretende divulgar no início de janeiro o primeiro preço de referência do leite. O grupo foi criado a partir de uma parceria dos produtores e das indústrias para tentar sanar os conflitos gerados pelos valores praticados na cadeia produtiva do leite e incentivar a qualificação das partes envolvidas. Esse tipo de comitê, de um produto bastante complexo e com vários derivados, é inédito no Brasil.
A formação de preço será feita a partir da média ponderada dos custos da produção da matéria-prima e dos custos industriais e de comercialização. Uma equipe técnica da Universidade Federal do Paraná (UFPR) será responsável pela tomada de preços e pelo sigilo das informações repassadas pelos fabricantes. De acordo com o presidente do Conseleite, Ronei Volpi, o preço de referência não é obrigatório e servirá apenas como base para as negociações entre produtores e fabricantes. Segundo ele, as oito maiores indústrias, que representam 70% do volume produzido no Paraná, participam do Conseleite.
''Continua a livre iniciativa do mercado, mas com isso os preços não vão ter uma disparidade tão grande'', afirmou Volpi, que representa os produtores através da Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep). O preço de referência será sobre um leite padrão, que terá que apresentar um percentual médio de gordura, de temperatura de entrega e qualidade compatíveis. Segundo Volpi, será definido também um preço para o produto superior.
A briga em torno do preço do leite ganhou força no ano passado. ''O supermercado tirava sua fatia, a distribuição também, a indústria cobria seus custos e tirava o lucro, e o que restava ia para o produtor'', relatou Volpi. Segundo ele, se agora houver prejuízo ou lucro, será dividido pelo fabricante e pelo produtor, e será a demanda que vai determinar isso. Por isso não deve ocorrer pressão sobre o preço do produto vendido ao consumidor.
Para Volpi, a criação do Conseleite representa uma ''evolução de 50 anos'' na relação entre produtores e fabricantes. ''Finalmente eles entenderam que são gêmeos siameses, que um não vive sem o outro'', afirmou. O vice-presidente do comitê, Wilson Thisen, do Sindileite, também considerou a união muito importante. ''O que queremos é um processo de parceria entre as duas partes, já que um não vive sem o outro'', observou.

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