Na próxima reunião do Conselho Nacional da Agricultura, que deve acontecer em fevereiro, os produtores de cana paranaenses pretendem solicitar que o Governo Federal conceda um subsídio nos moldes do que foi obtido pelos canavieiros do Norte-Nordeste. A pretensão é que o Governo pague mais R$ 5,00 por tonelada produzida, o que daria um aporte extra de recursos de cerca de R$ 200 milhões apenas ao Paraná.
A ideia partiu do Conselho dos Produtores de Cana-de-açúcar, Açúcar e Álcool do Estado do Paraná (Consecana-PR). O presidente da entidade e que tem assento no conselho nacional, Paulo Sidney Zambon, adiantou que a medida pode minimizar a diferença existente entre o preço que as usinas pagam e o preço real de custo para os produtores. Ele exemplificou que em novembro do ano passado, numa reunião realizada em Jacarezinho, os produtores estavam recebendo cerca de R$ 26,00 por tonelada enquanto o custo calculado foi de R$ 49,50.
Zambon afirmou que a intenção é convencer o Governo Federal a estender o benefício do subsídio concedido aos produtores das regiões Norte e Nordeste também para os do Centro-Sul. Considerando a estimativa de produção do Paraná - pouco mais de 40 milhões de toneladas, segundo Zambon -, o benefício poderia significar cerca de R$ 200 milhões a mais em recursos somente para os produtores paranaenses. Para toda a região centro-sul, cuja safra 07/08 deve render 431.186.371 de toneladas, a ajuda oficial ultrapassaria os R$ 2,1 bilhões. A questão é que a produção somada de todos os estados do Norte e Nordeste é bem inferior, de menos de 60 milhões de toneladas.
Conforme reportagem publicada ontem pela FOLHA, Zambon reforçou que a situação vivida pelo setor é bastante desfavorável, mesmo com uma produção entre 1% e 2% maior do que a do ano passado, que em todo o país passou dos 490 milhões de toneladas. Segundo ele, pelo menos uma dúzia de usinas em todo o país está em situação de insolvência e não conseguiu nem realizar a última safra.
Até o começo da próxima safra, em abril, Zambon estimou que preço do álcool (hoje em cerca de R$ 0,60 o litro) pode melhorar porque o consumo aumentou consideravelmente. Já o açúcar, segundo ele, deve chegar a no máximo R$ 35,00 a saca de 50 kg. Hoje, a cotação marca R$ 32,50.

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