Conquista do mercado externo depende de qualidade
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quinta-feira, 02 de outubro de 2003
Carolina Avansini<br> Reportagem Local 
Depois de atingir a posição de maior exportador mundial de carne no primeiro semestre de 2003, o Brasil tem que investir em qualidade para consolidar essa liderança. A opinião é de Albino Luchiari Filho, professor de zootecnia e engenharia de alimentos da Universidade de São Paulo (USP). Ele fez palestra ontem, em Londrina, no 1º Seminário Nacional da Produção de Carne com Qualidade. O evento, que termina hoje, integra a programação da Eurozebu, que vai até domingo no Parque de Exposições Governador Ney Braga.
Ao exportar 650 mil toneladas de equivalente carcaça nos primeiros seis meses do ano, o País ultrapassou os resultados da Austrália e dos Estados Unidos, além de atingir 65% da expectativa de vendas prevista até o final de 2003. Ganhos em eficiência e produtividade, aliados a um cenário internacional desfavorável, incentivaram as exportações. Segundo Luchiari, o mal da vaca louca na Europa, a seca na Austrália e a febre aftosa na Argentina reduziram mercados para esses países, beneficiando os negócios brasileiros.
''Até agora, o Brasil não vendeu carne. Ela apenas foi comprada lá fora'', considerou. Agora, é o momento de aproveitar as portas abertas para investir em qualidade e manter os mercados conquistados. Um dos caminhos para atingir essa meta é criar uma marca para a carne nacional, através da padronização dos cortes, do padrão de gordura e da idade dos animais (que devem ser jovens para resultarem em carne macia).
Outro forte apelo, no mercado internacional, é o fato do rebanho brasileiro ser criado a pasto, sem resíduos animais na alimentação. ''Essa característica precisa ser melhor explorada'', disse.
O pesquisador também defende investimentos em qualidade para ampliar o mercado interno. Diante da redução do poder aquisitivo do consumidor, a melhoria das vendas depende da comercialização da carne a preços mais baixos. ''Isso só é possível com eficiência e melhor produtividade'', afirmou.
Conquistar consumidores internos que buscam qualidade, aliás, é o objetivo da Aliança Mercadológica Novilho Precoce, de Guarapuava. Formada por um grupo de 13 criadores, a Aliança produz novilhos precoces e super precoces, abatidos com até 24 ou 16 meses, respectivamente.
O objetivo é garantir carne mais macia ao mercado. O custo no varejo é de 5% a 10% maior que a carne convencional, informou o médico veterinário Marcelo Vezozzo, que representa a empresa em Londrina e região.
Ele comentou que os produtores se diferenciam porque, além de investirem em genética e no manejo, fizeram parcerias com um frigorífico e com o varejo para garantir qualidade em toda a cadeia produtiva. A partir de 2005, deve começar a funcionar uma planta industrial para exportação da carne. ''A conquista do mercado externo depende da união dos produtores.''


