Conjuntura indica novo pacote econômico em 2007
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quarta-feira, 13 de setembro de 2006
Fernanda Mazzini<br> Reportagem Local 
A atual conjuntura político-econômica deve levar o governo federal a editar um novo plano econômico no início do próximo ano. Um novo pacote em 2007 repetiria o ciclo de cerca de quatro anos ocorrido nos últimos 20 anos. ''É o tempo necessário para aparecer os efeitos e defeitos dos instrumentos monetários, fiscais e cambiais utilizados nos planos de estabilização'', explica o economista Ismael Mologni. Um pacote econômico seria necessário para desvalorizar o real e baixar a atual taxa de juros.
Durante todo esse período, a população viu o seu poder aquisitivo cair com o achatamento dos salários. Por isso, na avaliação do economista, um novo plano será bom porque deverá injetar mais dólares na economia. ''Vai entrar dinheiro para a produção. Neste momento estamos em um processo de desindustrialização que deverá ser revertido se a taxa de juros real cair'', argumenta. Ele acrescenta que o atual crescimento econômico é artificial porque vêm de políticas de distribuição de renda, como o crédito consignado com desconto em folha de pagamento e os vários programas sociais, como o bolsa-família e o bolsa-escola, por exemplo.
''Os juros altos e o câmbio valorizado derrubam a inflação aparentando uma estabilidade, que é forçada. A agricultura está em crise financeira, a marginalidade é crescente e a classe média está empobrecendo'', diz. Segundo ele, o rendimento médio do pessoal ocupado caiu 7% desde fevereiro de 2002. Neste ano, a relação dívida interna/Produto Interno Bruto (PIB) é de 51%, um dos maiores níveis atingidos nos últimos 20 anos. Quando começaram as edições sistemáticas dos pacotes econômicos, em fevereiro de 86, houve congelamento de preços e o câmbio e os salários tiveram aumento real.
As medidas favoreceram os saques da poupança e, por isso, surgiu a inflação de demanda. ''Como naquele ano seriam realizadas eleições, as mudanças foram feitas somente em fevereiro de 87, quando o Brasil deixou de pagar os juros e encargos da dívida externa'', diz Mologni. Naquele ano, a relação dívida/PIB era de 23%. Em 90, essa mesma relação era de 25%, quando houve o congelamento da poupança. Depois veio o Plano Real, em 94, com a inflação ultrapassava os 5.000% ao ano. Câmbio, salários e preços foram congelados e a relação dívida/PIB era de 24%.
''No final de 98, o governo emprestou US$ 40 bilhões do Fundo Monetário Internacional; a relação dívida/PIB era de 50%'', comenta Mologni. Em 2002, a cotação do dólar chegou a R$ 3,99. Na época, a desvalorização do real era necessária para evitar a fuga de capitais, uma vez que o mercado temia a eleição do atual presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). Naquele ano, a relação dívida/PIB era de 52%. ''Quatro anos mais tarde, em agosto de 2006, o câmbio está desequilibrado em 33%, valorizando o real frente ao dólar. O crédito esgota o motor econômico, o consumidor chegou ao limite do endividamento e a transferência de renda aos bancos é brutal'', observa o economista.


