A alta do dólar e o medo de novos ataques terroristas provocaram o cancelamento de pacotes e passagens aéreas para o exterior e o aumento do turismo nacional e regional. Desde o último dia 11, quando aconteceu o atentado ao World Trade Center, em Nova Yorque, os paranaenses que iriam embarcar para Europa e Estados Unidos estão em compasso de espera. Quem ainda não sabia onde passar o Reveillon deste ano está optando por pacotes brasileiros, principalmente para o Nordeste.
O funcionário da Agência Chamon, do grupo de hotéis Mabu, Isac Gervásio, disse que a procura por pacotes em Foz do Iguaçu está crescendo mês a mês. ''Nos últimos 30 dias, vendemos entre 40 e 50 pacotes'', disse. ''Também já começamos a vender pacotes para o reveillon'', contou. Para a passagem de ano, o pacote mínimo no Mabu de Foz do Iguaçu é de quatro dias, com diárias, refeições, bebidas e festa incluída e custa R$ 4,5 mil por apartamento duplo.
A procura por destinos nacionais vem aumentando desde o início deste ano por causa do dólar, segundo a assessoria de imprensa da operadora de viagens Soletur Turismo. Até janeiro, os pacotes nacionais representavam 50% dos negócios da empresa. Desde julho, esse índice passou para 75%.
Segundo a assessoria de imprensa, o pânico causado pelo atentado em Nova Yorque e o câmbio devem contribuir para aumentar ainda mais o turismo interno, principalmente no final do ano. Um pacote de sete noites para passar o reveillon em Nova Iorque custa US$ 1,5 mil. Já um pacote de uma semana, no mesmo período do ano, em Fortaleza ou Recife custa cerca de R$ 2 mil.
A funcionária da agência de viagens curitibana Interglobal, Ceci Sterhl, disse que nas últimas duas semanas a procura por viagens nacionais aumentou 30%. ''Mas tivemos apenas 10% de cancelamentos das viagens internacionais'', afirmou.
Muitas pessoas que estavam com a passagem comprada para o exterior preferiram esperar por uma possível queda do câmbio e pelo desenrolar da crise internacional. ''Meus clientes ainda não pediram o reembolso das passagens'', contou a proprietária da Tour Company Viagens e Turismo, Valéria Cezar, que também é diretora regional da Associação Brasileiras das Agências de Viagens (ABAV).
''A compra de passagens para os Estados Unidos e países da Europa parou. Está todo mundo aguardando os novos acontecimentos. Além da disparada do dólar, ninguém quer correr o risco de se envolver num conflito fora de casa'', disse Valéria. Para ela, a situação das agências de turismo só não é pior porque a época é de baixa temporada, quando não há expectativa de vendas volumosas. ''As companhias Continental Air Lines e American Air Lines já cancelaram vôos. A Continental, que tinha vôo diário para os Estados Unidos, está saindo um dia sim e um não.''
A funcionária da Agência de Turismo Yoshida, de Londrina, Emi Yoshida, lembra que o Nordeste brasileiro é a região preferida dos londrinenses há mais de um ano. Segundo ela, os passageiros não cancelaram apenas viagens para os Estados Unidos e Europa, mas também para o Japão.
''Há um ano os negócios vinham enfraquecendo no Japão. Depois do atentado, embarcamos no máximo 15 pessoas. As empresas japonesas estão demitindo os dekasseguis por falta de investimentos americanos'', disse Emi. De 1993 até o ano passado, a Yoshida embarcava cerca de 50 pessoas por mês para o Japão. Há um ano, essa média caiu para 30 passageiros/mês.

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