Conjuntura estimula novos investimentos
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segunda-feira, 19 de maio de 2014
Cecília França<br>Reportagem Local 
Inflação e Selic altas, dólar em queda no último mês e alta nos principais índices da bolsa de valores são fatores que influenciam diretamente nas possibilidades de investimento. Apesar de ser preferência entre os brasileiros, a poupança deixa ser atrativa com a alta taxa básica de juros, abrindo novas possibilidades para quem pretende diversificar. Investimentos sem indexadores ou que têm IPCA ou Selic como indexadores passam a ser indicados.
O problema da poupança é sua forma de remuneração. O rendimento é determinado pela variação da taxa referencial (TR) mais juros de 0,5% ao mês para depósitos feitos até 04 de maio de 2012. Desta data em diante, as regras mudam e o rendimento depende da taxa Selic. No entanto, se ela for superior a 8,5%, nada muda; se for igual ou menor a 8,5%, aí sim os juros passam a ser 70% da taxa. No ano passado, por exemplo, a "poupança nova" rendeu 5,73%, abaixo do IPCA.
Otávio Fernandes Monteiro, sócio da Horus Investimentos, em Londrina, afirma ser um bom momento para os brasileiros buscarem novos investimentos além da tradicional poupança. Para Monteiro, a captação negativa no mês de abril (quando houve mais saques que depósitos na poupança) pode já ser um reflexo da alta da Selic.
"A poupança não é necessariamente o ativo mais seguro. O CDB (Certificado de Depósito Bancário) em um banco de primeira linha é praticamente a mesma segurança e, até R$ 250 mil, você tem a garantia do fundo garantidor de crédito, mesmo que o banco quebre, você recebe esse valor", explica Monteiro. Ele lembra que, quando a Selic estava na casa dos 7,5%, a remuneração desse tipo de investimento, quando descontado o Imposto de Renda, era inferior ou igual à poupança. "No cenário atual o CDB passa a ser bem mais interessante", reitera.
Para o economista da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Adilson Volpi, o momento é de pensar em investimentos a curto prazo, entre um ou dois anos, em virtude da volatilidade do mercado. "Como a inflação está nesse patamar de 6% e a taxa Selic deve se manter alta, investimentos atrelados a essa taxa talvez não sejam um mau negócio, ou fundos de renda fixa também", orienta. Outra possibilidade apontada pelo economista são os Títulos do Tesouro Nacional, indexados pela Selic.
"Se for sair da poupança, vá para alguma coisa mais para curto prazo; se já tiver um bom saldo, vale até distribuir entre fundos diferentes", diz.
Risco
Para renda fixa com risco de mercado (mas sem risco de crédito), Monteiro indica Notas do Tesouro Nacional-B, que são indexadas pelo IPCA e estão remunerando entre entre 6% e 6,40% ao ano. No entanto, o investimento é adequado apenas para quem pretende esperar até o vencimento. "Como são notas de prazo relativamente longo, você pode ter uma variação de preço do título, mas só existe risco de preço se você quiser sair antes do vencimento", explica.
Investidores experientes podem apostar em fundos que oferecem mais retorno, mas também, maior risco, como o multimercado. "Existem fundos com rentabilidade de 13,2% em 11 meses", informa o consultor da Horus.



