Conjuntura econômica preocupa empresários
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sexta-feira, 15 de dezembro de 2006
Luciana Pombo<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Uma nova pesquisa divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) demonstra que o empresariado paranaense não pretende fazer grandes investimentos em 2007. Preocupações como carga tributária elevada, encargos sociais, custo financeiro, mão-de-obra não qualificada, alto custo de distribuição e fornecedores inadequados ainda assustam o setor - principalmente no que se refere a concorrência interna. Na competitividade internacional, os empresários se dizem preocupados com a situação nacional de manutenção de cargas tributárias elevadas, burocracia, encargos sociais excessivos, câmbio desfavorável, custos portuários e de transporte, infra-estrutura deficiente.
Os dados fazem parte da Sondagem Industrial 2006/2007. Para o presidente da Fiep, Rodrigo da Rocha Loures, o setor industrial está preocupado com a produção paranaense especialmente - que caiu dois pontos percentuais nos últimos quatro anos. ''Algo está errado. O mundo inteiro cresce em até 17% ao ano. O Brasil está estagnado - o que revela uma situação de tensões. O empresariado está conservador. A gente sente no meio empresarial uma postura diferente. As empresas são bolsais - tiveram que aprender a não crescer pelo engessamento da economia'', exemplificou Loures. O presidente da Fiep lembrou que o Paraná passou por excelentes momentos de crescimento entre 1992 (governo Roberto Requião) e 2002 (governo Jaime Lerner). ''O problema da pobreza não se resolve com assistencialismo. Se resolve com empreendedorismo. Os governos precisam se atentar para isso'', disse ele.
Apesar do descrédito na política nacional, o empresariado paranaense apresenta um otimismo ''comedido''. Setenta e quatro por cento dos empresários têm expectativas favoráveis para 2007. O percentual é o terceiro menor da série histórica da sondagem - que começou em 1996. Entre os empresários que querem investir no ano que vem, estão estratégias de crescimento como manutenção da satisfação do cliente, desenvolvimento de negócios, pesquisa e inovação de produtos. Mais de 78% dos empresários pretendem fazer investimentos apenas com recursos próprios. A atenção a qualificação do pessoal também tem sido valorizada por 60% dos empresários - que pretendem fazer melhor gerenciamento de pessoal no ano que vem.
''Temos que analisar os investimentos já previstos para o Paraná e que são grandiosos como o da Renault (US$ 230 milhões) e da Petrobras (US$ 1,3 bilhão). Isso trará recursos para o Estado e geração de empregos. Acredito que a partir de março o Estado alcançará médias de crescimento superiores aos do Brasil'', ponderou Maurílio Schmitt, coordenador do Departamento Econômico da Fiep. O economista acredita na melhoria do mercado interno paranaense e na produção de produtos diversificados para exportação. Hoje o agronegócio representa 34% do faturamento industrial do Paraná. Outros 17% são do setor automotivo.


