Uma instituição de ensino com professores doutores, boa infraestrutura, apoio aos universitários não garantem sozinhos colocação no mercado. Para o engenheiro civil Nivaldo Almeida Neto, vice-presidente do Instituto de Engenharia do Paraná (IEP), os estudantes devem buscar constantemente o conhecimento e a capacitação também fora da universidade.
‘‘O mercado oferece hoje várias vagas de estágios, que são boas oportunidades para que os jovens tenham um contato maior com o dia a dia da profissão. Além disso, eles devem procurar participar de eventos, cursos, palestras, visitas técnicas e outras ações para complementar e reciclar seus conhecimentos. Oferecemos ao menos uma atividade dessas por semana e infelizmente a adesão ainda é baixa, o que mostra o desinteresse no complemento da formação profissional’’, afirma Almeida Neto.
Outro ponto ressaltado é a constante busca por informações sobre os fatos, as políticas e a economia brasileira. ‘‘Para saber onde estão e quais são as especialidades com maior demanda, o profissional precisa estar sempre muito bem informado sobre os projetos e acontecimentos do País. Esse hábito deve iniciar já na universidade’’, explica ele.
Um bom exemplo de como a dedicação nos anos da graduação podem fazer diferença no mercado de trabalho é o ex-aluno de Engenharia da Produção Civil da UTFPR, Guilherme Justus, 29 anos. Atualmente ele trabalha como engenheiro civil de uma construtora em Curitiba. O jovem conclui a graduação no ano passado, mas já acumula uma boa experiência, fator determinante para ter sucesso no mercado de trabalho.
‘‘O Brasil está com boas oportunidades, mas é preciso ter vivência de mercado’’, afirma Justus, que já pensava em sua carreira desde os primeiros anos do curso. Logo no segundo período, ele começou a estagiar na área e procurou fazer cursos de línguas e de conhecimentos específicos de seu curso. No meio da faculdade, o engenheiro morou um ano e meio na Inglaterra para aprimorar seu inglês e também teve a oportunidade de trabalhar com engenharia civil.
Sobre seu salário, ele se diz satisfeito. ‘‘Pensei que teria que batalhar mais tempo para conseguir chegar ao patamar que estou. Até já recebi outras propostas (de emprego)’’. Justus deu algumas dicas para quem está pensando em escolher esta carreira. ‘‘Nos primeiros anos, o curso pode parecer maçante, pois tem muitas matérias de base como matemática e física. Tenha paciência e estude bastante, pois, nos anos seguintes, as matérias específicas tornam o curso mais interessante e agradável. A cada dia eu gosto mais da área. É muito gratificante ver o resultado do nosso trabalho’’, avalia.
Quem já segue esses conselhos é Michael Ravaneda Bonfim, 19 anos, estudante do 5º período de Engenharia Industrial Elétrica da UTFPR. Além de se dedicar aos estudos das matérias vistas em aula, o jovem terminou em agosto um estágio de um ano na sua área feito na própria universidade. O estudante aproveitou o período e algumas vantagens que teve por ter trabalhado na instituição para incrementar o currículo.
‘‘Por ser estagiário tive bolsa em cursos de extensão oferecidos à comunidade. Aproveitei a chance para ter outros conhecimentos que acabam agregando na minha formação’’, comenta Bonfim. Para estar realmente preparado para o crescente mercado de trabalho, o jovem também pensa em continuar estudado depois da formatura. ‘‘Sempre gostei mais do setor de Telecomunicações dentro da Engenharia Industrial Elétrica, e pretendo fazer um mestrado nessa área, assim estarei ainda mais capacitado’’, explica. (A.A.)

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