NetdealEvents

Conheça a Allpark, a empresa que manteve o plano de abrir capital na Bolsa no meio da pandemia


JÚLIA MOURA
JÚLIA MOURA

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - No começo de março, com o Ibovespa acima dos 100 mil pontos e antes dos seis circuit breakers -paralisação temporária nas negociações- da Bolsa de Valores brasileira, 27 empresas estavam com pedidos de IPO (oferta pública inicial, na sigla em inglês) na CVM (Comissão de Valores Mobiliários).

Com a crise decorrente da pandemia do novo coronavírus e o Ibovespa abaixo de 80 mil pontos, muitas desistiram. A exceção foi operadora de estacionamentos e de zona azul Allpark, dona da Estapar.



A empresa passa a ser negociada em Bolsa nesta sexta-feira (15), no quinto IPO do ano -depois de Moura Dubeux, Mitre Realty, Locaweb e Priner. A lista é bem menor para o ano que, aos olhos do mercado, prometia ser de crescimento nas ofertas de ações.

As ações da Allpark foram arrematadas pela mínima da faixa de preço previamente estipulada, a R$ 10,50 por ação. O preço máximo era R$ 13.

A desvalorização do mercado torna mais difícil o processo de "valuation" -avaliar o quanto uma empresa vale para vendê-la. Nessa estimativa, um componente importante é a comparação com pares do setor que já estão na Bolsa. Em momentos de aversão a risco, o valor de companhias pode ficar distorcido e levar a estreante a ser avaliada por muito menos que o esperado pelos acionistas.

"Reduziram o valor e o volume ofertado para diminuir o risco da oferta. O momento é complicado e faz com que qualquer cenário seja muito incerto. Não sabemos qual a duração e prejuízos da crise. Esse IPO vai nos permitir saber se o mercado está otimista mesmo ou não", diz Igor Cavaca, analista Warren.

A oferta, coordenada por BTG Pactual, Bradesco, Santander Brasil e Banco do Brasil, levantou R$ 300,3 milhões com mais de 30 investidores institucionais no Brasil e exterior. Com a busca do pequeno investidor por renda variável, houve também procura do varejo via BTG Digital e XP Investimentos.

Como agente estabilizador, o BTG comprou 15% da oferta em um lote suplementar, que soma R$ 45 milhões, para garantir a estabilidade do preço das ações. Com isso, o IPO da Allpark movimentou R$ 345,3 milhões.

A Allpark é presidida por André Iasi, sócio do BTG Pactual . Outros dois sócios do banco fazem parte do conselho de administração da companhia, que tem como acionista controlador um fundo de investimento do BTG.

Nos últimos três anos, a companhia teve prejuízo: R$ 42,6 milhões em 2019, R$ 50 milhões em 2018 e R$ 71 milhões em 2017, por amortização de dívidas e aumento das despesas.

Para Jorge Junqueira, sócio da Gauss Capital, o IPO em um momento de incerteza econômica com projeções de uma grande depressão global faz sentido para a companhia.

"Por um lado a empresa já tinha assumido o compromisso financeiro e, estrategicamente, pensando no mundo retornando ao 'normal', é uma via de crescimento para diversificar produtos e interagir com clientes", diz Junqueira.

No prospecto da oferta, a Allpark estima que os recursos líquidos do IPO serão R$ 280,3 milhões, sem considerar o lote suplementar, e pretende usá-los integralmente para o pagamento da concessão da zona azul na cidade de São Paulo.

"Quaisquer recursos líquidos eventualmente remanescentes serão utilizados para reforço de capital da companhia", diz a Allpark.

Com a quarentena, o tráfego de automóveis teve uma forte queda, o que impactou a geração de caixa da companhia, apontam analistas.

Para fortalecer o caixa, a companhia já endividada recorreu ao mercado de ações.

"É um momento em que as fontes de capital têm sido muito limitadas e as taxas bem elevadas para acessá-las", afirma Junqueira.

A companhia venceu a licitação da zona azul em dezembro de 2019 para operar por 15 anos a concessão do serviço municipal de estacionamento rotativo para o município de São Paulo, com previsão de início de operação no segundo semestre de 2020.

"Atualmente, o zona azul SP consiste em 43.521 vagas, com possibilidade de ampliação de mais 8.085 vagas (totalizando 51.606 vagas)", afirma a empresa.

A concessão, porém, está sendo questionada judicialmente e o contrato não foi assinado. "O Ministério Público do Estado de São Paulo alega que diversas irregularidades e ilegalidades foram constatadas no edital da concorrência", diz o prospecto. Em caso de condenação, a Allpark pode ter a concessão anulada.

Em março, quando a Allpark pediu registro para sua oferta, a Estapar afirmava atuar em 15 estados do país, além do Distrito Federal, com mais de 400 mil vagas em 684 operações.



Segundo dados da consultoria McKinsey, a empresa tem 8% do mercado de estacionamentos no Brasil, que gerou uma receita bruta de cerca de R$ 15,7 bilhões em 2019.

Como você avalia o conteúdo que acabou ler?

Pouco satisfeito
Satisfeito
Muito satisfeito

Continue lendo


Últimas notícias