O ministro da Fazenda, Pedro Malan, e o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, serão chamados ao Congresso para explicar em que condições o governo negociou com o FMI para obter o empréstimo de US$ 15 bilhões. Os líderes do bloco de oposição no Senado apresentam requerimento amanhã, pedindo que Malan e Fraga sejam ouvidos em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos e no plenário.
‘‘O acordo com o FMI será sem dúvida o tema principal da agenda de debates do Congresso esta semana’’, aposta o líder do PPS no Senado, Paulo Hartung (ES). O líder do governo na Câmara, Arnaldo Madeira (PSDB-SP), concorda que haverá muita discussão e adianta que o governo terá que enfrentá-la. ‘‘Seguramente o Malan irá ao Congresso em algum momento, para fazer esclarecimentos, e isto é muito bom porque ele é didático e tem um ótimo poder de convencimento’’, diz o líder.
Otimista, ele aposta que, a despeito do bombardeio dos adversários, o governo acabará tirando dividendos eleitorais do acordo. ‘‘Já foi assim com a crise energética’’ O senador tucano Lúcio Alcântara (CE), concorda que os US$ 15 bilhões do Fundo terão impacto político favorável na disputa eleitoral, porque darão ao governo instrumentos para gerenciar a economia com mais calma. ‘‘Mas a oposição sempre vai questionar, dizendo que o Brasil se ajoelhou perante o FMI’’, adverte, ao ponderar que o empréstimo mostra a fragilidade da economia e agrava o endividamento externo.
É esta ponderação que dá a setores da esquerda a certeza de que quem vai tirar proveito político da operação com o Fundo são os adversários do presidente Fernando Henrique Cardoso em 2002. ‘‘Queremos saber se este recurso será convertido em moeda corrente, para financiar políticas públicas, ou se o objetivo é apenas engordar o caixa para financiar a agiotagem internacional no caso de um calote da Argentina’’, provoca a senadora Heloísa Helena (PT-AL).

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