Congresso não recebe bem nova decisão
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sábado, 08 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
Brasília A nova meta de superávit provocou contrariedade no Congresso tanto no PT, quanto nos demais partidos. A reação mais forte partiu do PSDB. O senador tucano Romero Jucá (RR) pretende barrar o aumento e encomendou estudos à assessoria técnica do Senado para saber se é possível reduzir a meta para 3% por meio de um decreto legislativo. Se a resposta for positiva, Jucá promete apresentar um projeto com esse objetivo no dia 17, quando o Congresso retomará os trabalhos.
''Essa meta anunciada é mais neoliberal e mais recessiva do que no governo Fernando Henrique, quando o PT reclamava'', disse Jucá, que chegou a ocupar o posto de líder do governo do antecessor de Luiz Inácio Lula da Silva. O senador afirmou ainda que pedir a convocação do ministro Antônio Palocci para explicar, no Senado, por que está colocando em segundo plano a política social.
''Se no ano passado, na febre alta, o ministro Pedro Malan receitou o antitérmico de 3,75%, por que Palocci, em febre baixa, aumenta a dose?'', indagou, antes de lembrar o mais ruidoso adversário do titular da Fazenda, o deputado radical João Batista Araújo (PT-PA). ''Não quero parafrasear o deputado Babá, mas ele não está sendo um bom médico.''
As críticas não se restringiram ao PSDB. O deputado Lindberg Farias (PT-RJ) disse que o aumento da meta é sinônimo de cortes de investimentos e gastos com o social. Ele manifestou preocupação, alegando que há uma expectativa grande das pessoas pela mudança no quadro social do País com mais investimentos em educação e saúde.
Numa referência à meta de 3,75% acertada com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Lindberg acrescentou que Palocci ''conseguiu ser mais realista do que o rei, se antecipando ao FMI''.
O líder do PMDB na Câmara, Eunício Oliveira (CE), avaliou que o aumento da meta sinaliza a necessidade de fazer as reformas o mais rapidamente possível. ''Precisamos fazer as reformas para que possamos crescer e não sejam necessários cortes de investimentos'', afirmou Oliveira. Já o líder do PFL na Câmara, José Carlos Aleluia (BA), disse que para cumprir a nova meta o governo ''terá de reduzir investimentos nas regiões pobres do País e aumentar o desemprego''.


