Rio de Janeiro - Trazido ao país com o objetivo de atrair investimentos estrangeiros, o 17º Congresso Mundial do Petróleo começa hoje no Rio no momento em que a abertura do setor petrolífero no Brasil está posta em xeque.
  A recente intervenção do governo no mercado de gás de cozinha (GLP) fez surgir a desconfiança dos investidores. O governo obrigou a Petrobras a baixar o preço do produto em suas refinarias e as distribuidoras e revendedoras a repassar a redução aos consumidores.
  Além da polêmica do gás, incomoda os investidores a decisão da Petrobras de segurar repasses da alta do dólar e da variação do preço do petróleo no mercado internacional.
  Preço livre era a premissa básica para a abertura do setor, iniciada em 1997, com a criação da Lei do Petróleo e a quebra do monopólio da estatal.
  Para não pressionar a inflação, o governo decidiu baixar em 12,4% o preço do gás de cozinha na refinaria e investiga a possibilidade de formação de cartel pelas distribuidoras, pois a queda ao consumidor, ao contrário do prometido, não ocorreu com a mesma intensidade.
  Também para não pressionar a inflação, a Petrobras não reajusta os preços dos combustíveis desde o dia 30 de junho, embora o dólar e o preço do petróleo tenham disparado no período.
  ‘‘A indústria está preocupada com esses sinais. Mas entendemos que é uma situação temporária e excepcional. Seria jogar por terra o esforço que fez com que mais de 50 empresas viessem para o Brasil’’, disse João Carlos de Luca, presidente do comitê organizador do congresso e da Repsol-YPF local.
  Segundo Luca, as empresas foram atraídas ao mercado nacional por um quadro regulatório claro e definido. ‘‘Qualquer tentativa de mudança dessas regras é um retrocesso’’, afirmou.
  A quase totalidade das companhias desembarcou no país para atuar na exploração e produção de petróleo -atividade até 1997 exclusiva da Petrobras.
  Para Luca, o principal tema da reunião será o futuro da cotação do produto em um cenário de possível invasão do Iraque por tropas norte-americanas.
  Uma guerra no Oriente Médio, em tese, elevaria o preço do produto no mercado internacional. A Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) já considera aumentar a produção dos países-membros para amenizar os efeitos de um eventual conflito que afetasse a produção no Iraque (dono da segunda maior reserva de petróleo do mundo, atrás da Arábia Saudita).
  Estarão no Rio representantes de algumas das principais companhias do setor, entre elas a gigante venezuela PDVSA, a saudita Aramco (a maior empresa petrolífera do mundo), a norte-americana Chevron-Texaco e a anglo-holandesa Shell.
  ‘‘A grande discussão do encontro será como fornecer energia ao mundo sem impacto ao ambiente’’, disse à Agência Folha, ontem, o nigeriano Rilwamu Lukman, presidente da Opep.
  Segundo Luca, o debate de maior relevância será entre Calderón e Robert Priddle, diretor-executivo da Agência Internacional de Energia, na quinta-feira. O debate poderá nortear o rumo dos preços do petróleo.
  A organização prevê que serão injetados R$ 100 milhões na economia fluminense com o evento.

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