Agência Estado
O Congresso Nacional descartou qualquer possibilidade de aumento de impostos para o acréscimo de R$ 8 bilhões no superávit fiscal no acordo estabelecido entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional. As novas metas apresentadas pelo FMI tiveram reação negativa até mesmo dentro da base de sustentação do governo. Para os parlamentares aliados, está na hora do governo fazer o ajuste em cima de cortes nas despesas.
Ontem o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), assegurou que não haverá aumento de impostos. ‘‘Hoje há uma consciência de que o governo precisa economizar gastos’’, explicou Madeira. ‘‘O novo ajuste será feito na área de cortes’’, completou o líder, que esteve com o presidente Fernando Henrique Cardoso na noite de quinta-feira. ‘‘Não foi pedida a aprovação de novas medidas no Congresso’’.
Mas essa não é a sensação dentro da base do governo. O líder do PMDB no Senado, Jáder Barbalho (PA), colocou em dúvida a certeza do governo em não enviar novas medidas ao Congresso para conseguir completar o esforço fiscal adicional. ‘‘Imagino que o governo vai apresentar novas medidas que envolvam o Legislativo, já que a essa altura isso é inevitável’’, argumentou Jáder. Para ele, aumento de novos tributos só em situação limite. ‘‘E caso seja preciso elevar tributos, o governo terá que deixar todos os motivos muito bem explicados’’, cobrou o senador, lembrando que a prioridade tem que ser feita em corte de gastos. Jáder também posicionou-se contra a privatização de estatais como a Petrobrás, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal.
As críticas também foram negativas nos outros partidos da base. Para o deputado e ex-governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho (PTB), dificilmente o ajuste será feito em cima de elevação de impostos. Para ele, as consequências do novo acordo são gravíssimas, até porque está prevista a permanência dos juros elevados. ‘‘Como pagar os compromissos se a arrecadação está no limite?’’, questionou Fleury.
Ele também criticou as propostas de privatização de empresas dos setores energético e financeiro. ‘‘Estamos na situação em que o sujeito que está devendo vende tudo o que tem e mesmo assim continua devendo muito mais do que antes’’, comparou o deputado petebista.
Para o líder do PPB, deputado Odelmo Leão (MG), não existe expectativa do partido aprovar novos impostos. ‘‘Nosso compromisso vai até a aprovação da CPMF’’, avisou Odelmo, lembrando que agora é preciso fazer ajustes dentro da União, Estados e municípios. Até no PSDB as restrições são grandes. ‘‘É preciso ser feita uma qualificação melhor dos gastos’’, ponderou a deputada e ex-ministra do Planejamento, Yeda Crusius (PSDB-RS). ‘‘É necessária uma cirurgia definitiva para reorganizar alguns gastos’’, completou a deputada tucana.
Na oposição, o novo acordo foi atacado. Para o deputado Milton Temer (PT-RJ) haverá um aumento da inflação, uma queda na produção, cortes nos gastos públicos e aumento de impostos. Ele acusa a nova diretoria do Banco Central de ser a verdadeira responsável pelo acordo. ‘‘Isso tudo foi feito para assegurar o pagamento das dívidas internas e externas’’, comentou, lembrando que os atuais diretores do BC eram ligados aos principais credores do Brasil. ‘‘Essa é uma operação esconde patrão’’, insinuou.

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