O 28º Congresso Brasileiro de Ciência do Solo, que foi aberto anteontem no complexo do Colégio Marista, em Londrina, já reuniu o maior público da história do evento até hoje. São mais de 2,2 mil participantes, entre estudantes, pesquisadores, professores, profissionais da área e produtores de ponta, que participam com depoimentos durante as sessões técnicas do congresso. O público estimado pela comissão organizadora era de 1,5 mil pessoas.
O evento, que acontece a cada dois anos – foi criado, portanto, há 56 anos, pela Sociedade Brasileira de Ciência do Solo –, está sendo realizado pela primeira vez em Londrina. Nesta edição, a organização está a cargo de quatro instituições de pesquisa e ensino do Norte do Paraná: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Centro Nacional de Pesquisa de Soja (Embrapa Soja); Instituto Agronômico do Paraná (Iapar); Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).
‘‘Os números do evento até agora são fantásticos’’, comemorava ontem à tarde o pesquisador Arnaldo Colozzi Filho, vice-presidente da comissão organizadora. Ele acredita que o sucesso de público se deve a dois fatores básicos: a região em que Londrina está situada, considerada modelo no cenário da agricultura nacional, e o interesse despertado pelo tema do congresso (‘‘Ciência do Solo: fator de produtividade competitiva com sustentabilidade).
Para Colozzi Filho, o aspecto multi-institucional do encontro ‘‘indica os novos caminhos que a pesquisa deve seguir, unindo esforços e capacidades intelectuais para conduzir as pesquisas científicas básicas e aplicadas no Brasil’’. Entre os participantes, há pessoas de diversas regiões do Brasil e vários países da América Latina, além dos Estados Unidos.
Mariangela Hungria, presidente da comissão organizadora, ressalta que o solo é o principal agente da produtividade. Mas a grande preocupação existente hoje em dia em tornar a atividade agrícola rentável, segundo Mariangela, não pode deixar de lado a sustentabilidade e a preservação do meio ambiente.
Durante a realização do congresso, que termina do próximo dia 6, as discussões serão norteadas por nove grandes temas: física, química e mineralogia; biologia; fertilidade do solo e nutrição de plantas; gênese, morfologia e classificação do solo; manejo e conservação do solo e da água; ensino da ciência do solo; fertilizantes e corretivos; poluição do solo e qualidade embiental. Cerca de 40% dos trabalhos inscritos, porém, estão relacionados à área de fertilidade do solo e nutrição das plantas.
Temas de hoje Hoje a programação prevê a discussão de metodologias para simplificar o entendimento da ciência do solo, tornando-a mais acessível à comunidade. a primeira palestra do dia, às 8h30, é com Meirelle Dosso, presidente da Comissão de Educação da Sociedade Internacional de Ciência do Solo. A pesquisadora explica que ‘‘há um grande vácuo entre o que se é estudado pela comunidade científica e o que a população conhece sobre o solo. Poucas pessoas têm noção de que o solo é o elo de ligação entre o mineral e a vida’’.
O professor Omar Neto Fernandes Barros, da UEL, também apresenta hoje pela manhã o projeto Globe (Aprendizado Global e observação do benefício para o ambiente), direcionado ao ensino da ciência do solo para crianças. O projeto é composto por 64 países e envolve 6 mil escolas em todo o mundo. Segundo Barros, o Brasil ainda não faz parte do projeto, mas a UEL e a Prefeitura de Londrina pretendem desenvolver um projeto semelhante a partir do próximo ano.

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