São Paulo - Os inúmeros riscos que a monocultura ou a pecuária extensiva podem trazer não só para o produtor, mas também para o sistema econômico e ambiental do País, foi um dos assuntos abordados durante o 14º Congresso Brasileiro do Agronegócio, que aconteceu ontem em São Paulo. Especialistas de diversas áreas ligadas ao setor no País debateram a importância econômica e ambiental da integração Lavoura, Pecuária e Floresta (iLPF) para o segmento. O tema deste ano do congresso, promovido pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag), foi "Sustentar é Inovar".
Alexandre Mendonça de Barros, sócio e consultor da MB Agro Consultoria, afirma que quem opta pela adoção de uma só cultura tende a ficar vulnerável em relação aos preços dos insumos, comercialização, efeitos climáticos e pragas e doenças. Barros lembra que o calendário de plantio aumentou muito no Brasil, por isso as moléstias estão tendo um maior tempo de sobrevivência porque seu ciclo de vida não é quebrado, como acontece no Hemisfério Norte, quando o frio rigoroso faz o controle natural.
Barros observa que o uso contínuo da monocultura pode trazer perdas de tecnologias, a exemplo da resistência de pragas à tecnologia Bt em algumas regiões do País. Por sua vez, além de quebrar o ciclo de pragas e doenças, a integração também proporciona um bom incremento financeiro. "A iLPF ajuda no fluxo de caixa das propriedades e dilui os riscos de perda com produtividade, oscilação de câmbio, baixa sanidade, entre outros", destaca o especialista. Barros completa que a integração otimiza o uso da terra, eleva o aproveitamento da mão de obra e gera uma renda extra ao produtor.
A falta de informação em relação ao sistema ainda é um desafio que necessita ser enfrentado, segundo o consultor da MB Agro. Para ele, é necessário a criação de um marco regulatório que organize todas as cadeias produtivas. Paulo Herrmann, presidente da John Deere no Brasil, explica que hoje o Brasil possui entre 2 e 3 milhões de hectares com iLPF. "Esperamos que, com o devido investimento, devemos chegar em 2020 com 10 milhões de hectares".
Herrmann destaca que o uso do sistema de integração possui a capacidade de mitigar até 1,5 toneladas de CO2 por hectare/ano. "Para alcançarmos bons resultados neste sistema é preciso mais profissionalismo, o que ainda não há", lamenta o dirigente. Hoje, o Brasil possui 151,2 milhões de hectares de pastagens, 83,8 milhões de hectares de agricultura, sendo que, desse total, 58,5 milhões de hectares são grãos e 7,7 milhões de hectares plantados com floresta.
Segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab), o Paraná possui em torno de 1,5 milhão de hectares plantados com floresta, 3,2 milhões de hectares de pastagem na região Noroeste, maior polo de produção de gado de corte, e 5,84 milhões de hectares com grãos contabilizados na safra verão 2014/15.

Baixa tecnologia
Luiz Lourenço, presidente da Cocamar Cooperativa Agroindustrial de Maringá (Norte), afirma que a maior dificuldade no processo de adesão à iLPF está na pecuária, que ainda é um setor com baixo uso de tecnologia se comparado aos demais segmentos. "Temos uma ocupação de menos de uma cabeça por hectare, o que é muito pouco. A integração pode resolver isso", destaca o dirigente.
Lourenço lembra que o Paraná é o estado mais avançado nesse tipo de sistema. Só a Cocamar possui 15 mil hectares em sistemas de integração. Segundo ele, é difícil convencer os pecuaristas sobre os benefícios da iLPF. Lourenço completa que o sistema cooperativista é o que mais fomenta esse tipo de ação.
Luiz Carlos Corrêa Carvalho, presidente da Abag, afirma que a integração já é um sucesso no Paraná, principalmente na região do arenito, que conta com a atuação da Cocamar. O dirigente completa que a iLPF pode ser a nova revolução verde.

O repórter viajou para São Paulo a convite da organização do evento

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