Congresso argentino aprova desvalorização do peso
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segunda-feira, 07 de janeiro de 2002
Agência Estado 
Buenos Aires Começa uma nova era na economia da Argentina. Depois de 10 anos e meio de conversibilidade, que fixou a paridade de um a um entre o peso e o dólar, o Congresso aprovou onte a lei de Emergência Econômica e de Reforma do Regime Cambial, que tem como eixo principal a desvalorização do peso. Pelo novo câmbio, a ser anunciado pelo governo, um dólar deve custar 1,40 peso.
Outra medida importante do pacote econômico é a pesificação das dívidas bancárias contraídas em dólares e das tarifas de serviços públicos, até então atreladas à moeda norte-americana. Com a pesificação, os valores em dólares são transformados em pesos pelo câmbio anterior de um a um. As tarifas de serviços públicos também deixam de sofrer correção monetária pela inflação dos Estados Unidos.
Os empréstimos hipotecários de até US$ 100 mil de pessoas físicas e de empresas serão transformados em pesos pela cotação antiga. O mesmo ocorrerá com as dívidas com cartões de crédito contraídas na Argentina. Durante 180 dias os aluguéis fixados em dólares serão pagos em pesos pela cotação de um a um. Ao fim deste prazo deverão ser renegociados entre as partes.
Outro artigo da lei diz que o Banco Central deverá ter reservas internacionais para respaldar o dinheiro circulante, mas acaba com a obrigação de manter uma determinada relação entre ambos.
O pacote econômico foi aprovado na madrugada de domingo pela Câmara de Deputados depois de treze horas de debate com votos do Partido Justicialista (do presidente Eduardo Duhalde), da União Cívica Radical (do ex-presidente Fernando de la Rúa) e da Frente País Solidário (do ex-vice-presidente Carlos Chacho Álvarez) e pelo Senado no fim da tarde de ontem.
A pesificação dos empréstimos provocará uma perda para os bancos. Segundo o deputado Jorge Matzkin, presidente da comissão de Orçamento e Fazenda, cerca de 90% dos empréstimos em dólares são inferiores a US$ 100 mil e os bancos deixariam de receber cerca de US$ 8 bilhões. Por isso, o pacote econômico cria um imposto sobre as exportações de hidrocarbonetos que será usado para compensar as perdas dos bancos.
A lei estabelece ainda a proibição de demitir sem justa causa durante 90 dias. Se demitirem, as empresas deverão pagar as indenizações em dobro.
Um medida da política econômica anterior que não foi modificada, propositalmente, é a que estabelece restrições às movimentações ou semiconfisco dos depósitos, conhecido como corralito. A razão disso é que o curralzinho atende à necessidade do governo de restringir o dinheiro circulante, que poderia alimentar o mercado paralelo do dólar.


