Congelamento argentino pode acabar hoje
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sexta-feira, 31 de maio de 2002
Agência Folha 
Buenos Aires Após vários dias de intensas negociações, o Ministério da Economia prometeu divulgar hoje o plano para a devolução dos depósitos congelados pelo curralzinho. Os banqueiros, no entanto, apostam que o projeto não será suficiente para acabar com todas as restrições bancárias.
O ponto de discórdia entre banqueiros e governo está nas opções que serão oferecidas aos correntistas: receber bônus em troca dos depósitos congelados ou esperar para receber os recursos em dinheiro, em várias parcelas e até 2005, de acordo com o cronograma estabelecido em fevereiro.
Dessa forma, os banqueiros acreditam que a adesão ao plano se restringiria a apenas 30% dos correntistas, o que não seria suficiente para acabar de vez com o curralzinho.
Até ontem, a idéia era estabelecer que os correntistas teriam 30 dias para se dirigir aos bancos e recusar os bônus. Caso contrário, eles teriam automaticamente concordado em receber os papéis.
Os últimos detalhes do projeto deveriam ser definidos ontem à noite, em reunião do presidente Eduardo Duhalde com o ministro Roberto Lavagna (Economia) e legisladores do partido peronista.
Por ter influído na queda de dois ministros da Economia -Domingo Cavallo e Jorge Remes Lenicov-, o curralzinho virou um tabu no governo, que só quer tomar uma decisão após agradar, ao menos parcialmente, a todas as partes envolvidas.
O plano que deve ser divulgado hoje prevê que os correntistas receberão três tipos de bônus. Um teria prazo de dez anos e seria entregue aos correntistas que possuem depósitos a prazos fixos em dólar. Outro papel teria uma prazo de vencimento em cinco anos e valeria para os depósitos a prazo fixo em pesos. O último bônus seria de três anos, em dólares, e seria entregue para os donos de contas correntes e poupanças.
Os detentores desses bônus teriam uma série de opções, como negociar o papel em um mercado secundário, comprar carros e casas novas ou liquidar dívidas.
Para evitar que haja pressão sobre o dólar com a flexibilização do curralzinho, o governo pretende aumentar o controle sobre a liquidação das divisas obtidas com exportações.


