Confrontos deixam nove feridos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 06 de maio de 1997
Agência Folha 
BRASÍLIA - Assim que foi anunciado o final do leilão da Vale do Rio Doce, começou um tumulto em frente ao prédio da Assembléia Legislativa, nas proximidades da Bolsa de Valores do Rio. Eles tentaram se aproximar do prédio da Bolsa aos gritos de vamos invadir, atirando latas de refrigerante contra os policiais. Os policiais militares que cercavam o local impediram a aproximação. Houve conflito e duas pessoas ficaram feridas: o repórter Claudio Starec e o cinegrafista Sérgio Matos, ambos da TV Bandeirantes, foram agredidos pelos manifestantes.
Os policiais, em formação, fizeram os manifestantes recuar em direção à rua da Assembléia, afastando-os da Bolsa de Valores. O trânsito da rua 1º de Março foi fechado e os manifestantes seguiram em direção à Cinelândia, onde houve novos tumultos. Por volta de meio-dia, quando houve o início do leilão, um outro tumulto havia terminado com sete feridos: quatro policiais militares, dois manifestantes e um cinegrafista.
A confusão começou às 12h05, quando houve o anúncio de que o leilão seria iniciado. Militantes bloquearam o trânsito na avenida Presidente Antônio Carlos. Para liberar o tráfego, PMs com cães avançaram contra os ativistas.
Manifestantes responderam jogando pedras nos policiais. Temendo que acontecesse outro confronto como o da semana passada, quando 33 pessoas ficaram feridas, alguns manifestantes pediram calma, aos gritos, e tentaram improvisar cordões, para separar os ativistas dos policiais. Quem está jogando pedra é provocador!, gritou o presidente do PSTU, Cyro Garcia, ao microfone do carro de som.
Apesar dos apelos, alguns ativistas tentaram cercar um policial, que tinha um cão na corrente. Em socorro ao colega, PMs que usavam escudos e cassetetes avançaram contra a multidão. Houve correria e insultos. Na confusão, ficaram feridos o cabo Luiz Carlos Silveira, com uma pedrada na testa, o sargento Marcos Oliveira, atingido com um objeto na boca, e os soldados José Ricardo Pimentel e Getúlio Paulo de Andrade, feridos, respectivamente, nas costas e perna.
Os manifestantes Theo Cunha e Joaquim da Silva foram mordidos por cães. O cinegrafista Júlio Cesar da Motta, da CNT, foi ferido na mão esquerda por uma pedrada. A tensão entre os manifestantes estava aumentando desde as 10h11, quando chegaram à rua da Assembléia, a cerca de 10 metros da manifestação, 14
policiais a cavalo do RPMont (Regimento de Polícia Montada) da PM. É desnecessário e parece provocação!, gritou ao microfone do carro de som o deputado federal Lindbergh Farias (PC do B/RJ). Depois de uma negociação com o comando do policiamento, os PMs a cavalo atravessaram a rua e ficaram a cerca de 70 metros dos ativistas.


