Confronto deixa pelo menos 33 feridos
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terça-feira, 29 de abril de 1997
Agência Folha 
Raimundo Valentim/Agência Estado
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ViolênciaA repórter de televisão Ana Paula Araújo (à esquerda) e um homem são feridos por estilhaços de bomba de gás lacrimogêneo durante conflito entre policiais militares e manifestantes que protestavam contra o leilão da ValeBRASÍLIA - Uma briga generalizada entre policiais militares e ativistas contrários à privatização da Vale feriu, ontem de manhã, pelo menos 33 pessoas, muitas delas atingidas pela explosão de quatro bombas de efeito moral. A pancadaria começou às 10h30, em frente à Assembléia Legislativa, na esquina da avenida Antônio Carlos com a rua da Assembléia, no centro. Centenas de estudantes que tinham acabado de chegar ao local, onde ocorria manifestação contra a venda da estatal, xingaram 20 PMs do Batalhão de Choque que garantiam o reboque de um carro de som. O tumulto fez a polícia desistir do reboque. O comando da PM ordenou aos policiais que voltassem à praça 15, junto ao prédio da Bolsa, sede do leilão.
Os estudante perseguiram os PMs no caminho para a praça. Atrasados na caminhada, dois policiais foram cercados. Os manifestantes atiraram objetos contra eles e os ameaçaram com xingamentos. Os outros PMs partiram em socorro dos colegas, iniciando o confronto que deixou feridos nove jornalistas, oito policiais e pelo menos 16 manifestantes.
Os 20 policiais avançaram 50 metros, distribuindo cacetadas. Apesar da disposição, acabaram encurralados entre três grupos de ativistas. Com dificuldades para sair do cerco, foram bombardeados com latas, garrafas, pedregulhos e pedaços de pau. Sob a chuva de objetos, os PMs detonaram quatro bombas. Centenas de pessoas se dispersaram pelas ruas São José, Primeiro de Março, da Assembléia e Sete de Setembro. Os estilhaços das bombas fizeram as primeiras vítimas.
Os manifestantes reagiram a pauladas, socos e pontapés. Os 20 policiais também batiam. Um brucutu (carro blindado, com canhões de jatos de água para dissolver multidões) foi deslocado para o local e começou a atirar água, em jatos fracos. Não atingiu ninguém. O presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Vicente Paulo da Silva, correu em direção ao veículo, pedindo, aos gritos, que ele não fosse usado. A briga parou. O brucutu deu meia volta e deixou o local.
Ladeados pelo brucutu e caminhando de costas, os PMs retomaram o caminho para a praça 15, ainda alvejados por pedras. Desta vez, não foram seguidos pelos manifestantes. Um grupo de parlamentares e militantes impediu novo ataque aos policiais, com um cordão humano na esquina da ruas Primeiro de Março e da Assembléia. Formaram o cordão, entre outros, o vereador Fernando William (PDT), a senadora Benedita da Silva (PT-RJ), o deputado federal Carlos Santana (PT-RJ) e o ex-vereador Chico Alencar (PT).
Depois do conflito, os PMs não voltaram à área onde se concentraram os manifestantes. A situação se tranquilizou só as 17h30, quando foi anunciada pelo carro de som que se encontrava no local a suspensão do leilão. Os manifestantes festejaram a informação com fogos de artifício e o Hino Nacional, cantado em coro. Os PMs se mantiveram à distância. Nessa hora, segundo a PM, havia 2.500 manifestantes. A liderança do ato público calculou em 10 mil os presentes.
O esquema de segurança montado pela Polícia Militar nas imediações da Bolsa de Valores do Rio utilizou 800 homens - quase o dobro dos 430 que haviam sido anunciados na semana passada para o evento. Dos policiais presentes, 150 pertenciam ao Batalhão de Choque. Havia 12 soldados a cavalo e 12 com cães.


