Antonio Scorza/AFPBloco polêmicoSindicalistas e estudantes brasileiros queimam bandeira dos EUA, em Belo Horizonte, em protesto à criação da Associação das AméricasBELO HORIZONTE - Um grupo de manifestantes entrou em confronto com o Batalhão de Choque da Polícia Militar de Minas Gerais por volta das 18 horas de ontem, próximo ao Minascentro, onde o presidente Fernando Henrique Cardoso estava sendo esperado para abrir a reunião ministerial da Alca (Área de Livre Comércio das Américas). Encapuzados, os manifestantes tentaram forçar a passagem, com o objetivo de se aproximar do Minascentro, e a PM os impediu. Depois de tentar forçar a passagem para se aproximar do Minascentro, manifestantes discutiram com policiais. Seguiu-se, então, uma batalha no centro de Belo Horizonte.
Os manifestantes encapuzados jogaram pedras e um coquetel Molotov contra a PM, que reagiu com cassetetes, bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Segundo a polícia, um manifestante foi preso - sua identificação não foi fornecida - e algumas pessoas ficaram levemente feridas, entre elas, cinco policiais. Segundo o coronel José Guilherme do Couto, comandante do policiamento da capital, entre 400 e 500 manifestantes entraram em choque com a PM.
O tenente-coronel Severo Augusto da Silva Neto, comandante do Batalhão das Américas, também disse que os manifestantes não faziam parte do ‘‘Fórum Paralelo Nossa América’’ - organizado pela Orit (Organização Regional Interamericana dos Trabalhadores) e pelas centrais sindicais CUT (Central Única dos Trabalhadores), CGT (Confederação Geral dos Trabalhadores) e Força Sindical. ‘‘É preciso que fique bem claro isso: a manifestação organizada pelos sindicalistas, que tinha entre 4.000 e 5.000 pessoas, era pacífica e ordeira’’.
Em função da manifestação, o trânsito da região central de Belo Horizonte ficou completamente congestionado, o que atrasou em 55 minutos a chegada de FHC ao Minascentro. O clima ficou mais tenso quando essa passeata chegou perto do local onde ocorreu o confronto. O Batalhão de Choque cercou toda a avenida Amazonas e impediu que os manifestantes prosseguissem.
Foi preciso a intervenção do tenente-coronel Severo Neto e do presidente da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho, que chegaram a um acordo de que a passeata poderia prosseguir se não houvesse provocações. O Batalhão de Choque conduziu os manifestantes até a um quarteirão de distância do Minascentro, na avenida Augusto de Lima, onde foi armado um cordão por policiais bloqueando o avanço dos manifestantes. O líder petista Luiz Inácio Lula da Silva deixou a passeata antes do confronto.

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