Confronto com a polícia deixa manifestantes feridos
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quarta-feira, 29 de julho de 1998
Agência Folha 
O que era para ser um protesto pacífico contra a venda da Telebrás se transformou em conflito generalizado que opôs, no centro do Rio, policiais e manifestantes durante parte da manhã e da tarde de ontem.
Dezenas de pessoas ficaram feridas, mais de 30 manifestantes foram presos. As lojas de diversas ruas centrais não funcionaram a maior parte do dia. Um grupo de mascarados tentou incendiar a sede do PSDB na rua São José e a vizinha lanchonete McDonalds.
Os confrontos entre manifestantes e policiais militares afetaram a vida de milhares de pessoas que passaram a partir das 9h40 pelas imediações da praça 15, onde fica a Bolsa de Valores.
Havia 3.000 policiais, segundo a PM, contra 10 mil manifestantes, na avaliação da CUT (Central Única dos Trabalhadores). A PM estimou os manifestantes em cerca de 2.000. Mas ambas as avaliações da CUT e da PM são imprecisas, por causa dos tumultos que ocorreram em pontos diferentes do centro carioca.
Os PMs foram os responsáveis pelas primeiras agressões. Eles atacaram os manifestantes com cassetetes, bombas de gás e até tiros de revólveres. Os manifestantes reagiram com pedras, garrafas, morteiros e pelo menos uma barricada de madeira, incendiada para impedir a passagem da tropa. O hospital Souza Aguiar (centro) havia atendido, até as 16h30, 20 pessoas feridas, das quais 14 continuavam internadas.
A reportagem localizou em meio aos tumultos mais 15 feridos, que se recusaram a procurar atendimento médico. Um deles era o presidente da UNE (União Nacional dos Estudantes), Ricardo Cappelli, 26, com o braço direito fraturado, segundo ele, por PMs que o agrediram.
Na 1ª Delegacia de Polícia, no centro, sete manifestantes foram autuados sob a acusação de danos ao patrimônio público e desacato à autoridade. Pelo menos 60 manifestantes foram levados pela polícia para a DP. Os PMs prenderam ainda sete menores de 18 anos que protestavam. Eles foram levados para a DPCA (Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente) da Polícia Civil.
Os tumultos começaram às 9h45, quando cem policiais de choque alinhados na rua Primeiro de Março, após ordem do secretário estadual de Segurança, Noaldo da Silva, começaram a expulsar manifestantes que impediam o tráfego em frente à Assembléia Legislativa.
Os PMs agrediram os manifestantes com golpes de cassetete e atiraram bombas de gás dentro das barracas dos sem-terra acampados no local. Os manifestantes correram para as ruas laterais, onde arrancaram as pedras do calçamento, atirando-as nos PMs.
As ruas da Assembléia, do Carmo, São José, da Quitanda e Sete de Setembro foram ocupadas por policiais e manifestantes, parte deles com os rostos cobertos por panos e máscaras. O centro carioca começava a viver um dia de caos. Tanto a polícia quanto o comando da manifestação perderam totalmente o controle sobre as pessoas que protestavam.
Aterrorizados com os estrondos das explosões e com os pedregulhos arremessados para todos os lados, comerciantes fecharam suas lojas, o que impedia os pedestres, surpreendidos entre os grupos adversários, de se protegerem.
A situação se agravou a partir das 14h, horário em que terminava o leilão na Bolsa de Valores, quando mascarados misturados entre os manifestantes tentaram incendiar a sede do PSDB na rua São José, que já tinha sido apedrejada. Lojas vizinhas também foram atacadas pelo grupo, que fracassou na tentativa de atear fogo ao McDonalds e ao restaurante Timpanas (térreo do prédio do PSDB).
A confusão só foi amenizada depois que os PMs expulsaram os manifestantes para a avenida Rio Branco. Antes de se dispersarem, os mascarados ainda destruíram três Voyages da PM, que estavam parados na esquina da Rio
Branco com a avenida Almirante Barroso.


