Quem pensa que as mulheres só estão interessadas no espelho do carro está enganado. Design, potência, comodidade, ano e tecnologia estão entre os quesitos levados em conta na hora de escolher o carro. É o que revela a pesquisa ''As Poderosas da Nova Classe Média Brasileira'', realizada pelo Instituto Data Popular em parceria com a Editora Abril.
Mais da metade das mulheres da classe C, 60,3% afirmam ter automóvel na garagem, enquanto os homens da mesma camada ainda estão nos 46,1%.''O carro é uma conquista que faz parte da melhora da qualidade de vida da mulher da classe C'', observa o sócio-diretor do Data Folha, Renato Meirelles.
A vendedora Andréia Fatima dos Santos, 24 anos, concorda que o carro é sinônimo de praticidade e complementa que também significa conforto e status. Há três meses ela trocou o seu Palio ELX por um Uno Vivace. ''Quis trocar por ser um carro moderno'', diz. Para ela, a potência do motor não é o principal atrativo, mas sim a parte estética. ''Tem que ser um carro bonito; presto muita atenção no acabamento externo e no design'', conta.
A dona de casa Ermelinda Negrisoli, 53 anos, aproveitou o bom preço do Classic para adquirir um novo modelo, sem abrir mão do seu Passat Iraquiano. ''Ficaremos com os dois. Assim, meu marido e eu poderemos ter mais independência para usar os carros'', diz.
O operador da Metronorte Chevrolet JK, Vilson Domingos Basseto, observa que de dois anos para cá a mulher da classe C passou a participar mais da compra dos automóveis. Na loja, 50% são responsáveis por decidir o modelo junto com a família. ''Espaço interno e porta-malas estão entre os principais itens que elas levam em conta. Na sequência vem economia e manutenção'', relata. Já na Fiat Marajó, o público feminino corresponde a 60% das decisões na hora da compra, de acordo com o supervisor de vendas José Fernandes. Segurança, estética, espaço interno e porta-malas são os detalhes mais observados.
O sócio-diretor do Data Popular, Renato Meirelles, acrescenta que os dados da pesquisa revelam um novo perfil de consumidoras para a indústria automobilística. ''Cabe a ela ter modelos de venda que contemplem a vontade da mulher da nova classe média brasileira porque as propagandas dos carros ainda são muito masculinas'', observa. (A.V.)

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