Conflito com Embraer afeta área espacial
O conflito entre a Empresa Brasileira de Aeronaútica (Embraer) e a companhia canadense Bombardier está repercutindo na área científica. A decisão do Brasil em rever os acordos com o Canadá impediu que as agências espaciais dos dois Países assinassem ontem um convênio para a utilização do satélite Radarsat no monitoramento da Amazônia. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) contava com esse material para aperfeiçoar os dados sobre o desmatamento da floresta tropical.
O Radarsat é um satélite de sensoriamento remoto capaz que fazer imagens através das nuvens. Isto é praticamente impossível para os equipamentos óticos, como o satélite norte-americano Landasat, utilizado pelo Inpe para obter imagens da cobertura vegetal amazônica. O convênio com o equipamento do Canadá possibilitaria a visualização do cenário natural de localidades equatoriais nunca antes observadas sem a interferência de nuvens.
A guerra diplomática entre os dois países deverá fazer outras vítimas na área científica. O projeto canadense Globesar2, que visa difundir em todo planeta o amplo uso da tecnologia de sensoriamento remoto por radar também poderá perder a participação das entidades de pesquisa brasileiras. No Brasil, cerca de 18 instituições - entre universidades, empresas privadas e centros de pesquisas - recebem dados do Radarsat.
A Agência Canadense Internacional de Desenvolvimento (CIDA) já investiu mais de US$ 1,5 milhão em projetos voltados à aplicação desta tecnologia de monitoramento. Entretanto, a transferência desta tecnologia poderá ser suspensa.





